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Os séculos XVII e XVIII correspondem, na arte portuguesa, à afirmação de um exuberante Barroco de cariz decorativo, que encontra as suas expressões maiores no azulejo e na talha dourada. Ao contrário do sucedido na Europa Central, o grande Barroco romano quase não deixou marcas entre nós, ao nível arquitectónico. Contudo, Portugal soube criar o seu contributo próprio, através daquelas artes decorativas que, entre nós, se assumem como verdadeiras artes maiores, transfigurando os espaços arquitectónicos. Do norte a sul do país, numerosíssimas igrejas foram reformadas e redecoradas, segundo a nova sensibilidade barroca, que nelas deixou uma marca, muitas vezes dominante.
Évora é um bom testemunho da actividade artística desses séculos.
Profundamente marcada pelo Gótico e o Renascimento, a cidade seiscentista e depois setecentista assistirá a amplos programas construtivos e decorativos, em que a austera tradição do Estilo Chão se combinará com a elegante modernidade das obras de inspiração régia.
Não sendo uma cidade barroca, Évora abriu-se ao novo estilo, decorando ou redecorando as suas igrejas e conventos.
O século XVIII viu erguer-se ou completar-se bom número de construções religiosas, como as Igrejas do Carmo, Nossa Senhora dos Remédios, ou a Cartuxa primitiva. Logo após a Restauração, surge, no recinto do Colégio do Espírito Santo, a graciosa Capela de Nossa Senhora da Conceição. As destruições causadas pela conquista e ocupação espanhola, durante a Guerra da Restauração, farão intensificar a actividade (re)construtiva, que atinge o auge na primeira metade de Setecentos.
A obra mais importante deste período é, sem qualquer dúvida, a nova capela mor da Sé, devida ao patronato régio de D. João V, que a encomendou ao seu principal arquitecto João Frederico Ludovice. Numa dimensão inferior à de Mafra, não lhe cede, porém, em elegância e equilíbrio, constituindo uma das obras primas do chamado Barroco Joanino. Foi enorme o seu impacto em Évora, detectável, por exemplo, na nova Igreja do Senhor Jesus da Pobreza, ou nas renovadas capelas mores de São Francisco e São Mamede.
Do reinado de D. João V (1706-1750), datam ainda outras maravilhas, no domínio do azulejo: os espectaculares revestimentos das Igrejas dos Lóios e da Misericórdia, bem como a decoração das salas de aula da Universidade.
A passagem do Barroco ao Rococó está também documentada em Évora, nas Igrejas de Nossa Senhora das Mercês e do Convento Novo de São José.
Os dois séculos aqui considerados assistiram, pois, a um grande embelezamento decorativo dos principais monumentos da cidade e à construção de alguns importantes edifícios, que souberam harmonizar-se com o riquíssimo património dos séculos anteriores.

 

1 - A nova capela-mor da Sé

Erguida sobre os auspícios de D. João V é uma obra prima de integração e equilíbrio formal. Deve-se ao grande arquitecto do Barroco Joanino, João Frederico Ludovice, autor do Convento/Palácio de Mafra. Feita de mármore português, está recoberta de obras de arte romanas, sendo de destacar a grande Assunção da Virgem de Agostinho Masucci, sobre o altar-mor. O Cristo Crucificado é obra do escultor lisboeta Manuel Dias, a partir de desenho de Vieira Lusitano.

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2 - A capela da Ordem Terceira, na Igreja de S. Francisco (séc. XVIII)

É uma espectacular manifestação de tendência barroca para a integração das várias expressões artísticas, fornecendo um impressionante efeito visual unificado. Azulejo, pintura, escultura e talha contribuem harmoniosamente para a beleza do conjunto, dominado pelo retábulo central, de grande profundidade, obra prima da escola de talha eborense.

 

3 - A elegante Igreja Agostinha de Nossa Senhora das Mercês

Apresenta notáveis obras de azulejo e talha, que documentam a passagem do Barroco para o Rococó, sendo de destacar o magnífico arco triunfal e as pilastras do transepto. Alberga a secção de Artes Decorativas do Museu de Évora.

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4 - Convento de Nossa Senhora dos Remédios

Foi fundado para as carmelitas descalças, pelo Arcebispo D. Teotónio de Bragança. A igreja que data do primeiro quartel do século XVII, é um admirável testemunho do primeiro Barroco em Évora, com a marca austera do arquitecto castelhano Juan Gomez de Mora.

 

5 - Interior da Igreja da Misericórdia

Renovado no século XVIII, é uma preciosa amostra do decorativismo do Barroco, que nele faz intervir as diversas artes, com especial relevo para os magníficos painéis de azulejo de António de Oliveira Bernardes (1716), figurando as obras de misericórdia.

 

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6 - O interior setecentista da medieval Igreja dos Lóios está completamente revestido de azulejos historiados, da autoria de António de Oliveira Bernardes (1711), com episódios de S. Lourenço Justiniano. Tal como na anterior, o azulejo atinge aqui um esplendor inigualável, testemunho da arte do maior mestre português do século.
 

7 - A magestosa Igreja do Carmo, que ostenta a maior cúpula da cidade, foi construída no último quartel do século XVII. O grande altar de talha que alberga o Santíssimo Sacramento é um dos melhores exemplos da talha barroca de Évora.

 

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8 - O antigo Castelo Novo manuelino foi transformado, a partir de 1736, num sóbrio e importante edifício militar, para acolher o Regimento de Dragões de Évora. Constitui um dos mais importantes testemunhos do Barroco profano da cidade.

9 - No terço inferior da velha Rua da Selaria é dedicado um nicho ao Senhor dos Terramotos, instalado em preito de gratidão, datado de 1755, por Ter sido Évora poupada pelo megasimo que atingiu Lisboa e outras localidades do país.

 

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10 - A Igreja do Convento Novo de São José

Iniciada em 1728, por iniciativa do Cónego António Rosado Bravo, que nela está sepultado, representa, pela sua rica decoração interna, a passagem do Barroco para Rococó.

11 - A Igraja setecentista do Senhor Jesus da Pobreza, constuída na década de 1730 tira partido, brilhantemente, de um espaço irregular, desenvolvendo-se em altura, no interior. Com inspirações formais do Barroco de Ludovice, deve-se à acção mecenática do Cónego António Rosado Bravo.

 

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12 - Durante a 1.ª metade do século XVIII, a Universidade foi grandemente embelezada, com a construção da fachada da Sala de Actos e com o espectacular revestimento azulejar das salas do claustro, onde se encontra a principal colecção de azulejos de temática profana do sul do país

13 - A nobre fachada do Mosteiro da Cartuxa de Évora corresponde ao período final do séc. XVII (parte inferior) e início do séc. XVIII (parte superior). A elegância de proporções e excelente factura traduzem o seu caráter de obra régia. No Interior da igreja, encontram-se um dos maiores retábulos de talha de Portugal

 

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Última Actualização30-03-2000

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