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Dominando a planície
alentejana, Évora surpreende-nos na sua beleza, constantemente renovada no tempo e na
história e que importa apreciar na sua totalidade. Vista de longe, onde a sua silhueta
única é marcada pela imponência da Catedral, ou apreciada precisamente pelos seus
terraços local onde propomos o início do nosso Itinerário -, o olhar é
convidado a percorrer desde a sua evolvência mais distante, passeando depois pelas
quintas, conventos e bairros circundantes, até ao particularismo de uma arquitectura
harmonizada numa sinfonia de diversos estilos e presenças.
O Palácio de Vimioso, a Casa do Inquisidor e o Palácio da Inquisição, o Templo Romano,
o Palácio dos Condes de Soure, o Jardim de Diana, a Casa Cadaval com a Torre das
Cinco Quintas, parte integrante do castelo medieval -, a Igreja dos Lóios, a Biblioteca
Pública, a imponente Torre de Sertório, que se destaca na cintura romano-goda e o solar
dos Condes de Portalegre são exemplos arquitectónicos próximos que da Sé podemos
observar. |
Nesta primeira abordagem à cidade, fica também a percepção
de cinturas defensivas sucedâneas, acompanhando o crescer do antigo minicipium romano: é
a muralha romano-goda com as suas múltiplas referências, é a muralha fernandina com
seus baluartes, torres e portas de que hoje apenas resta na traça original a Porta de
Avis, e os reforços modernos Vauban, acrescentados em pleno século XVII, de que o Forte
de Santo António é belo exemplar. Do ponto onde nos encontramos também se definem as
artérias e as ruas estreitas, obedecendo também a lógicas civilizacionais sucessivas
e que fizeram da primitiva urbe romana, desenvolvida a partir de duas grandes
artérias (o cardus e o decumanus, típicos das cidades dos agrimensores), uma cidade
sinuosa que convida à descoberta.
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Depois de um
passeio pela Catedral-Claustro, Museu de Arte Sacra, Capela Mor, Coro e Órgão
sugerimos um passeio mais atento ao Templo Romano e a toda a sua envolvência, ao museu de
Évora, de cujo recheio destacamos o espólio arqueológico, a escultura renascentista e
as colecções de pintura da escola flamenga e os primitivos portugueses; seguimos
pela Rua 5 de Outubro, antiga Rua da Selaria, por onde somos conduzidos à Praça Grande |
ou de Geraldo,
que marcou o centro da Segunda área de desenvolvimento da cidade, a partir da Porta da
Selaria: as arcadas de raiz medieval, com sucessivos arranjos, são característica
marcante, prolongando-se pelas ruas da República, João de Deus, Largo Luís de Camões e
Rua José Elias Garcia.
Desta Praça irradiam várias ruas: a Rua do Paço, actualmente da República, a da
antiga cadeia comarcã; a do Raimundo, que se inicia com a Casa dos Conjurados de 1640,
hoje Posto de Turismo; a dos Mercadores, que marcava o início da judiaria; a da Moeda,
(ruas que também nas transversais que as ligam conservam vestígios arqueológicos
sinagoga e arquitectónicos próprios respectivamente janelas e portais -,
constituindo nitidamente uma zona autónoma), e a Rua de Alconchel (actual Serpa Pinto)
que termina na cintura Fernandina com a Porta ladeada pela Torre de Menagem, cenário de
entradas reais. |

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Destacam-se ainda na Praça
de Geraldo típicas fachadas neo-clássicas e românticas, aliando de forma sui generis a
cantaria, o estuque e o ferro forjado, num espaço ainda hoje fulcral da cidade (e que foi
cenário de justas e torneios, de Autos de Fé, da Revolta do manuelino em 1637, entre
outros), local de equilíbrio de poderes de um lado, a Igreja de Santo Antão, cuja
construção implicou a demolição do Arco Triunfal; do outro, os Paços do Concelho, no
espaço onde hoje encontramos o Banco de Portugal -, não podendo ser esquecida a fonte
quinhentista, enquanto parte de um conjunto integrado de estruturas de apoio os Aqueduto
da Água de Prata (fontes, chafarizes e fontenários que povoam a cidade), além da caixa
de água, de clássica estrutura renascentista existente na Rua Nova. |
A nossa proposta
de percurso continua no sentido das igrejas de S. Francisco e da Graça exemplo,
respectivamente, do tardo-gótico alentejano e do maneirismo na arquitectura -, pelo Largo
da Porta de Moura, visitando a Igreja do Carmo, barroca, e observando, além do
particularismo arquitectónico da fonte (que recebeu água pela primeira vez em 4 de
Novembro de 1556), o varandim da Casa Cordovil e a janela da casa de Garcia de Resende.
Seguiremos no sentido da Universidade, visitando o Claustro e atendendo à marcante
presença barroca, conferida pela imponente fachada da Sala dos Actos e pelos azulejos;
depois a Igreja do Espírito Santo, modelo de muitas Igrejas jesuíticas do continente,
Brasil e Oriente. O percurso orientar-se-á para o antigo arrabalde da mouraria, passando
pela Igreja de S. Mamede, entrando na Rua da Mouraria e seguindo pela Rua das Fontes, onde
damos especial atenção à chamada "Casa do Brasileiro", pormenor marcante
romântico na malha urbana da cidade; do Largo das Portas de Avis, com a sua
característica fonte, passando ao Largo do Chão das Covas, observamos o seu fontenário
setecentista, dando especial atenção ao particular encanto conferido pelo Aqueduto à
Rua do Cano. |


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Prosseguiremos no sentido do Teatro Garcia de Resende e, passado o Largo de Luís
de Camões, estaremos novamente na Praça de Geraldo, a partir da qual uma visita mais
pormenorizada, acompanhada por itinerários específicos, certamente se justificará, mas
onde também o balanço do Itinerário efectuado nos provará que em Évora os sentidos
encontram a sua expressão plena: são os jogos de luz e cor, são os cheiros e sabores
propiciados pela sua típica gastronomia, também ela testemunho de influências várias e
onde encontramos até no manjar mais simples a junção do imaginário e do exótico, são
as suas ruas estreitas e brancas sempre embelezadas por uma inesperada fachada, as suas
varandas e sacadas, as suas gentes, enfim... o sentir e o partilhar de um todo histórico
numa cidade viva e palpitante.
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Cúpula
da Torre Cruzeira e apainelados azulejares com os quatro elementos - Universidade de
Évora |
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