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As origens de Évora ligam-se a um passado longínquo, anteriores mesmo à Romanização. No entanto, é após a reconquista que assistimos ao seu crescimento em termos urbanos e monumentais, o que levará, na transição do séc. XVI, a ser considerada a 2ª cidade do país, residência quase permanente da corte e estância dilecta de reis, nobres, artistas e pensadores.

Após a reconquista, o seu espaço é precisamente o mesmo, quer da cidade romana, quer da muçulmana. Assim, será a partir deste primitivo núcleo, que será inicialmente o seu centro vital, que Évora irá crescer, extravasando para fora da primitiva muralha, com a consequente criação de arrabaldes, que passarão posteriormente a fazer parte integrante dela.
Todavia é a zona do antigo fórum romano e da alcáçova muçulmana que se erguerão alguns dos edifícios mais marcantes da cidade – a Sé, o primitivo edifício dos Paços do Concelho e o Açougue instalado no templo romano, readaptado a esse fim, bem como alguns dos palácios mais antigos da nobreza local.

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1 - Circuito de muralhas no séc. XIV

 

Mas, tendo a expansão da cidade nesta fase da Idade Média transbordado largamente os seus primitivos limites – o que é comprovado até pela construção de um novo circuito de muralhas no séc. XIV, ir-se-á verificar que Évora crescerá a partir das portas da primitiva cerca. Outros elementos geradores de urbanidade são, entretanto, introduzidos nesta cidade, como é o caso das comunidades mendicantes.
Acrescente-se ainda a construção da judiaria, ocupando no quadro urbano uma posição privilegiada, graças ao seu papel dinamizador do ponto de vista económico, e a mouraria, que se situava numa posição inequivocante periférica, que se coadunava com a marginalidade económica e social, imposta às comunidades mouras.
Demonstrando a vitalidade desta nova zona da cidade, o Palácio Real de S. Francisco, símbolo da função real de Évora, não irá situar-se no núcleo mais antigo da cidade, mas sim na zona do convento franciscano.
Na viragem do séc. XV para o XVI, o traço mais característico em termos urbanos será a contraposição entre o poder temporal e espiritual, a nível da localização espacial. Deparamos, com um centro nitidamente religioso, marcado pelos edifícios da Sé e Paço Episcopal, que será reforçado na Segunda metade do séc. XVI através do Palácio da Inquisição e do Inquisidor-Mor, localizado no antigo centro urbano de Évora. Paralelamente, um centro de poder temporal, marcado pelos edifícios dos Paços do Concelho, Cadeia, Pousada Real dos Estáus, incluindo até os novos açougues, situado na Praça Grande, parte nova da cidade.

 

 

 

2 - Catedral de Stª Maria

Situada na zona topograficamente mais saliente e mais antiga, é a maior catedral portuguesa, tendo sido durante séculos local importante de peregrinação. Pela sua implantação e volume, domina o aglomerado urbano.
Data a sua fundação do séc. XIII, estando a sua construção ligada a soluções românicas e góticas. O magnífico apostolado do portal e o claustro são já do séc. XIV.

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3 - S. Francisco

Igreja conventual e capela palatina, foi fundada por D. João II e concluída já no reinado de D. Manuel, para substituir a primitiva, que remontava ao séc. XIII, sendo a 1ª fundação mendicante são sul do país.
Exemplar magnífico do tardo gótico alentejano, mas também da arte portuguesa em geral, podemos verificar nele uma multiplicidade de influências, ao mesmo tempo que o aparecimento de soluções inovadoras no âmbito da arquitectura portuguesa do período. De uma só nave, ampla, ladeada de capelas intercomunicantes, apresenta soluções inovadoras não só quanto à estrutura, mas também à iluminação e sistema de cobertura (abóbada de berço quebrado com penetrações). Desligando-se das formas tradicionais das igrejas franciscanas e dominicanas até então construídas em Portugal, aproxima-se das igrejas do gótico mendicante mediterrânico (Catalunha, Sul de França).

 

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4 - Paço Real

Símbolo da função real de Évora foi construído ao longo do séc. XV, prolongando-se as suas obras pelo início só séc. XVI. Situado nas imediações do convento franciscano, cresceu à custa desse mesmo convento. Foi neste palácio que decorreu a maior festa do reinado de D. João II, o casamento do seu filho, o Infante D. Afonso, com a Princesa Isabel, filha dos Reis Católicos. Deste magnífico palácio, restou-nos apenas a chamada Galeria das Damas, onde elementos característicos do tardo gótico de influência mudéjar se aliam a elementos renascentistas.

 

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5 - S. Brás

Construída no final do séc. XV, pode considerar-se, juntamente com S. Francisco e os Loios, um edifício que assinala a introdução do tardo gótico no Alentejo e que serviu de modelo a inúmeras ermidas construídas nesta região.
Edifício de carácter robusto, protegido por botaréus rematados por coruchéus e coroado superiormente por merlões chanfrados, apresenta ainda um friso de esgrafitos ao gosto da época.

 

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6 - S. Bento de Castris

Convento feminino, remontado ao séc. XIII, fundado nos arredores de Évora, como aliás estabelecida a ordem cisterciense.
De grande volume arquitectónico e tendo sofrido obras de várias épocas, destacam-se a igreja e o claustro, visivelmente marcados, artisticamente, pelo gótico português e alentejano.

 

 

 

7 - Casa Cordovil (mirante)

Situada junto às Portas de Moura, demonstra a importância que o gótico final de influência mudéjar assume também na arquitectura doméstica, assinalado, sobretudo, no mirante de planta rectangular coroado superiormente por ameias.

 

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8 - Casas Pintadas de Vasco da Gama

Situadas nas imediações da Sé, apresentam num pequeno claustro uns espectaculares frescos, que a tradição atribui à fauna que Vasco da Gama viu na Índia. É difícil admitir que o bestiário exótico que ali se encontra tinha sido semelhante origem, tendo provavelmente outras fontes de inspiração, a que não falta uma certa dose de ingenuidade. Numa ligação profunda entre o sonho e o mito, ou pretendendo transmitir uma lição moralizante, encontramos, entre outros, o monstros das sete cabeças, o pelicado sereias, galos afrontados e coelhos

 

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Última Actualização30-03-2000

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