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ÉVORA
MONUMENTAL PARA CRIANÇAS
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INTRODUÇÃO
Estamos à
vossa espera. Vamos gostar de vos receber nesta cidade antiga
que um dia, há muito tempo, se chamou Ebora Liberalitas Iulia.
Hoje chama-se Évora. Se quiserem acompanhar-nos neste roteiro,
vão ver antigas ruas, antigos palácios, antigos monumentos que
falam da nossa História. Assim, estamos a convidar-vos para uma
viagem no tempo. Uma viagem a outros épocas, em que pessoas como
vocês aqui trabalharam, aqui viveram, aqui construíram as casas
onde moravam e os monumentos de que se orgulhavam. Romanos,
árabes e portugueses fizeram desta cidade o que ela é hoje.
Assim, vamos convidá-los a acompanharem 1500 anos da História de
Évora. E estamos convencidos de que vão gostar…
Período Romano
PORTA DE D. ISABEL
Nestas coisas o melhor é começar
pelo princípio. Vamos passar então por esta velha porta onde
vocês agora estão. Chama-se Porta de D. Isabel, mas esse nome só
foi dado há 400 anos, pois antes chamava-se “Porta do Talho do
Mouro”. Esta porta é mais antiga. Foi construída pelos romanos
há cerca 1800 anos. Era uma das principais portas da cidade, e
situa-se nas muralhas que os romanos construíram para proteger
Évora: a Cerca Velha. Havia, nessa muralha, quatro
portas, de que hoje só resta esta. Diga-se que a muralha romana,
construída no século III, era grande, para aquele tempo. Tinha
cerca de 1200 metros de extensão, e tinha ainda várias torres
para defesa. Por vezes, a muralha não resistia a ataques mais
fortes. A meio do século XII, tropas árabes venceram a
resistência destes muros, e invadiram a cidade. Porém, Évora
recompôs-se. Observem agora o resto de empedrado logo após a
entrada. Era uma estrada romana. Quantas pessoas terão pisado
estas pedras e passado por baixo desta porta?
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TERMAS ROMANAS
As cidades onde os romanos moravam
tinham vários serviços para garantir a higiene, a limpeza e o
conforto dos seus habitantes. Por isso os romanos se preocuparam
tanto com o abastecimento de água. Construíam aquedutos para
levar a água e tinham termas onde os cidadãos podiam tomar
banho, conversar, conviver. As termas que aqui estão são a prova
dessa preocupação com a higiene. Em latim designavam-se “Therma”,
daí provindo a palavra portuguesa “Termas”. Em 1987 os
trabalhadores que faziam obras neste edifício - que é a Câmara
Municipal (Paços do Concelho) - descobriram alguns vestígios
antigos. Após vários estudos, os investigadores concluíram que
se tratava das termas romanas. Com o passar dos anos, mais
estudos e escavações foram sendo feitos, até se pôr a descoberto
o que está presente. Mas como eram estas termas? As termas
tinham vários espaços diferentes sempre organizados em 3 áreas
diferentes: quente, tépida e fria. Os romanos tomavam os seus
banhos quentes nesta sala circular a que chamavam Laconicum.
O espaço ao lado era o Praefurnium. Aqui estava a
fornalha que aquecia todos as outras salas. O terceiro
espaço chamava-se Natatio, constituído por uma piscina
rectangular de ar livre. Esta é uma área que não pode ser
visitada. Nestas termas os romanos, além de se banharem,
conviviam, conversavam, negociavam. Era por isso um local de
higiene e convívio.
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TEMPLO ROMANO
O centro da cidade romana, o seu
espaço mais importante, chamava-se Forum. Era aí que os
romanos tinham o seu principal templo, bem como os locais onde
se exercia a administração e justiça. Este é o lugar mais alto
da Ebora Liberalitas Iulia, como lhe chamavam os romanos.
Vejamos então este templo que aqui temos perante nós. Durante
muitos anos foi chamado de “Templo de Diana”, pois dizia-se que
era dedicado à deusa romana da caça, Diana. Pensa-se hoje,
todavia, que este templo foi construído há quase dois mil anos
para servir de culto ao imperador. Recorde-se que os romanos,
nessa época, adoravam vários deuses e também prestavam culto aos
seus imperadores. Este templo estava rodeado de lojas e o chão
da praça era de mármore. Envolvendo o templo romano, havia um
bonito espelho de água. Claro que o templo que aqui vemos, mais
não é que as ruínas do que os romanos construíram no século I, e
os vestígios do pequeno lago em forma U que o rodeava estão
enterrados debaixo da calçada. Ao longo dos tempos, este templo
serviu de torre militar e até de talho. Em 1870, os eborenses
decidiram limpar o templo de tudo o que não lhe pertencesse de
origem. Fizeram-se obras, e surgiu então o que aqui vemos, sendo
hoje o monumento mais conhecido da cidade de Évora.
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A Idade Média
A
CATEDRAL DE ÉVORA
Quando o
Império Romano desapareceu, há cerca de 1600 anos, os povos
“bárbaros” ocuparam grande parte da Europa. Na Península Ibérica
foram os Visigodos que se instalaram. O seu reinado durou quase
trezentos anos. No século VIII, vieram os Árabes e, no século
XII, formou-se o reino de Portugal. Évora foi conquistada por
Giraldo Sem Pavor, e entregue ao nosso primeiro rei. D.
Afonso Henriques. Assim se tornou-se uma cidade cristã. Ora o
monumento principal e central de uma cidade cristã, nessa época,
era a catedral. A catedral de Évora foi construída entre 1283 e
1308. Se pensarmos que naquele tempo todo o trabalho era feito
sobretudo à força de braços, podemos dizer que esta catedral foi
construída em relativamente pouco tempo. No exterior Observem as
estátuas dos homens que enfeitam o portal. Quem são? São os
apóstolos. Com livros sagrados nas mãos, recebem quem entra. E
na base de cada apóstolo pequenas esculturas contam histórias.
Naquele tempo, a grande maioria das pessoas não sabia ler. Por
isso a Igreja educava a população mandando esculpir histórias
nas pedras dos templos, como se fossem lições. No interior da
igreja, em cima, à direita, entre os pequenos arcos, podemos
observar uma estátua. É um busto do arquitecto da catedral, que
exibe duas letras, C E. O que significam? São as iniciais da
expressão latina Constructor Edit, isto é “o Construtor
que Fez”. A catedral de Évora tem vários estilos e muitos
espaços, sinal de muitas obras ao longo dos tempos. Podes
visitar o “Tesouro da Sé” que contém pinturas e jóias em prata e
ouro, e o claustro, onde está sepultado o bispo fundador, D.
Pedro.
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PRAÇA DE GIRALDO
Ao longo da Idade Média, Évora
cresce. A muralha romana já não protege toda a cidade. Torna-se
necessário construir uma nova muralha que defenda os novos
bairros (arrabaldes). A nova muralha será construída no
tempo do rei D. Fernando, no século XIV. É nesta época que surge
a Praça de Giraldo. Inicialmente aqui se fazia a primeira feira
da cidade, ainda no tempo do rei D. Dinis (fim do século XIII,
principio do século XIV). Com o passar dos anos, a Praça de
Giraldo tornar-se-á na praça principal da cidade, conhecida
então por Praça Grande. De um lado situavam-se os Paços
do Concelho (Câmara Municipal), do outro lado, a igreja de Stª.
Antão. Aqui havia o pelourinho, a “Casa de Ver o Peso”
(instituição que verificava se os pesos e medidas não eram
falsificados), os Estáus da Coroa (estalagem real) e a fonte. A
toda a volta, as lojas serviam os habitantes. Esta praça
assistiu a muitos acontecimentos da História de Évora. Foi aqui
que se fizeram festas, torneios de cavaleiros - as justas - e
touradas; e foi aqui que se fizeram os tristemente célebres
autos-de-fé. Ainda hoje, esta praça é a principal Praça da
cidade de Évora. Como o era há vários séculos, quando a cidade
começou a crescer.
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No fim
da Idade Média
IGREJA REAL DE S. FRANCISCO
A igreja e
de S. Francisco, foi construída há cerca de 500 anos no local
onde antes havia uma pequena igreja gótica. Nessa altura, o
nosso país estava lançado nos Descobrimentos. Por isso podemos
ver à entrada da igreja um dos símbolos da nossa expansão, a
esfera armilar (emblema do rei D. Manuel I). Como igreja real,
era aqui que os reis portugueses e a sua família assistiam à
missa quando estavam em Évora. Para isso existem duas janelinhas
à direita do altar. Mas onde ficavam os reis quando vinham a
Évora? Ora ao lado desta igreja, na zona do claustro foi
construído um palácio real: os Paços Reais. Durante muitos anos
os reis portugueses aqui passaram largas temporadas, e aqui se
fizeram importantes cerimónias. Como, em 1490, o casamento entre
o príncipe Afonso, filho de D. João II e uma princesa espanhola,
celebrado num pavilhão de madeira em frente à igreja. Poucos
anos depois, Vasco da Gama terá recebido aqui o cargo de
comandante da frota que descobriu o caminho marítimo para a
Índia. Foi ainda nestes paços que Gil Vicente apresentou algumas
das suas peças de teatro - os autos -, que estão na origem do
teatro em Portugal.
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O Renascimento
IGREJA E CONVENTO DA GRAÇA
Continuemos
o nosso caminho pela História e Património de Évora. Continuemos
a ver os locais preferidos dos nossos reis, quando aqui ficavam.
Em 1540, o rei D. João III ordenou ao arquitecto Miguel de
Arruda que construísse esta igreja. Aqui também trabalhou o
célebre escultor francês Nicolau de Chanterene. Assim se fez. A
Igreja foi feita num estilo novo para a época, dedicando-se a
Nossa Senhora da Graça. Hoje é considerada é um dos mais
importantes monumentos do Renascimento em Portugal. Mas reparem
nas quatro estátuas que estão logo acima da porta. Chamam-se os
“meninos da Graça” e carregam às costas as “quatro partes do
mundo” onde os portugueses chegaram. De resto, orgulhoso pelo
império português, o rei D. João III mandou escrever na fachada
o título de “Pai da Pátria”, à imitação dos antigos romanos.
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LARGO DA PORTA DA MOURA
Mas não pensem que em Évora só há
palácios e igrejas. Por toda a cidade há outros monumentos que
nos foram deixados e que ajudavam as pessoas no seu dia-a-dia.
Como aqui, no largo da Porta da Moura, onde podemos ver esta
bonita fonte de 1556. Num tempo em que a água pública era
escassa, fontes como esta eram muito importantes para as
populações. Esta fonte de forma esférica foi mandada erguer pelo
cardeal e futuro rei D. Henrique, e foi construída pelo
arquitecto Diogo de Torralva, com donativos dos vizinhos do
largo. Agora olhemos
em torno. Casas e pequenos palacetes rodeiam este largo, como a
casa Cordovil com o seu belo mirante. Ao lado, temos a casa de
foi de um célebre estudioso do século XVIII, Severim de Faria.
Aí funcionou uma academia, onde grupos de amigos falavam de
História e Literatura. E entre as torres que guardam a antiga
Porta da Moura, vemos uma janela num estilo artístico
tipicamente português, o “manuelino”. Chama-se “Janela de Garcia
de Resende”, como homenagem ao célebre poeta português do século
XVI, que em Évora nasceu
e viveu, e que foi o autor do
‘Cancioneiro Geral’, livro onde se reúne poesia portuguesa dos
séculos XV e XVI.
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UNIVERSIDADE DE ÉVORA / COLÉGIO DO ESPÍRITO
SANTO
Durante muitos séculos, os jovens
estudavam em escolas que pertenciam à Igreja. Se quizessem
depois continuar estudos, podiam ir para a Universidade. Em
Portugal só existiam duas: a de Coimbra e a de Évora. A
Universidade de Évora, onde agora estamos, foi construída em
1551, por ordem do cardeal D. Henrique, futuro rei de Portugal
(1578-80). Mas o que é que se estudava nesta universidade? Os
jovens estudantes podiam aqui frequentar cursos de Filosofia,
Matemática, Teologia (estudos religiosos) e Retórica (artes
ligadas à linguagem. A Universidade de Évora aqui se manteve
durante cerca de 200 anos, sendo depois extinta. Só em 1979 é
que regressou a Évora, onde ainda hoje se mantém usando estas e
outras instalações.
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PORTA DO MOINHO DE VENTO
Estamos perto do fim do nosso
percurso. Estamos na chamada porta do Moinho de Vento cujo nome
tem cerca de 800 anos. Sabemos que por aqui perto existia um
moinho de vento, que deu o nome a uma outra porta. Com o passar
do tempo essa ‘antiga porta’ desapareceu, e o nome foi dado a
esta porta onde agora nós estamos. Não foi por acaso que se
escolheu este local para terminar a nossa viagem pela História
de Évora. Lembram-se por onde começámos? Foi aqui perto, na
Porta do Arco de D. Isabel, ali à frente, uns metros à esquerda.
Ora sucede que é neste local que se cruzam as duas portas das
velhas muralhas: a Porta de D. Isabel, da muralha romana (a
Cerca Velha); a Porta do Moinho de Vento, da muralha
construída pelo rei D. Fernando no século XIV . Esta nova
muralha - a Cerca Nova- tinha 3 km de extensão, e
possuía 10 portas. Neste ponto de encontro, a nossa viagem chega
ao fim. Uma viagem ao passado de Évora, ao passado de Portugal.
Évora,
cidade Património da Humanidade, não se despede dos seus amigos.
Apenas lhes diz: “Até breve.”

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