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1.
PORTA DE D. ISABEL A Porta de D. Isabel fazia parte da muralha tardo romana, hoje conhecida
por Cerca Velha. Esta porta, constituída por um arco perfeito
de cantaria é a única sobrevivente em todo o recinto
amuralhado da Cerca Velha. Marca a passagem da principal rua da
cidade romana na direcção este-oeste - o Cardo Máximo
-, da qual resta um troço de calçada bem conservado,
sob o arco. A muralha tardo romana, na qual esta Porta se insere, tinha cerca
de 1.200m de extensão, e abrangia uma área de cerca
10ha. Estava protegida por fortes torres de cantaria, das quais
ainda subsistem algumas, como as que defendiam as portas das Rua
da Selaria (actual Rua 5 de Outubro) e da Porta de Moura. O seu nome remonta ao séc. XVII, já que na Idade Média
era conhecida pela Porta do Talho do Mouro. De facto, o arrabalde
da Mouraria nova, era ali a dois passos.
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2.
TERMAS ROMANAS Em 1987, na sequência de obras nos Paços do Concelho,
descobriram-se as termas romanas da cidade. O complexo até
agora estudado tem cerca de 300m2, orientando-se no sentido sul/norte
e obedecendo aos cânones vitruvianos. Os espaços já
conhecidos constam de: Laconicum - Sala circular de 9m de diâmetro, destinada a banhos
quentes e de vapor. No centro encontra-se um tanque circular de
5m de diâmetro, embutido no solo, com três degraus.
O fundo do tanque é de opus signinum (argamassa feita de
cal hidráulica, areia e tijolo míudo) e possui uma
profundidade de 1.30 m. O laconicum está rodeado do seu sistema
de aquecimento. Praefurnium - Espaço visitável ao lado direito, que
contém a fornalha, serviria de sistema central de aquecimento
das salas adjacentes. Daqui o Laconicum era aquecido mediante combustão
de madeira. Natatio - Piscina rectangular de ar livre, rodeada de pórticos,
com uma largura de 14.40 m e comprimento de 43.20 m. No lado leste
da piscina eram lançadas as águas das termas, segundo
se crê trazidas por aqueduto próprio que teria sido
o antecessor do aqueduto de Água de Prata. Esta área
não é visitável.
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3.
TEMPLO ROMANO O templo fazia parte integrante do fórum de que se conhece
a praça lajeada a mármore e uma estrutura porticada
envolvente, onde provavelmente estariam lojas (tabernae). Foi este templo edificado em meados do século I, consagrando-se
provavelmente ao culto imperial. Possuía uma planta rectangular
do tipo hexastilo-períptero, medindo 24.60 m por 14.19 m,
assentando num podium de 4 m de altura. Na sua construção
foi usado granito local, bem como mármore de Estremoz nos
capitéis coríntios e na base. Um espelho de água
em forma de U circundava-o. A história do Templo confunde-se com a história de
Évora. Na Idade Média foi utilizado como "açougue
das carnes" (talho), sendo aí o principal ponto a retalho
de venda de carne da cidade. Em 1870, decidiu-se repor a traça
original disponível. Assim, e sob a orientação
do italiano G. Cinatti, foi restaurado como hoje se exibe, ainda
que sem cela, arquitrave, friso e muitas das suas colunas. Nesse
processo colaboraram muitos nomes ilustres do tempo, entre eles
Alexandre Herculano. Em ex-líbris da cidade se tornou, ainda que nunca tivesse
sido consagrado à deusa Diana, como popularmente se afirma.
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4.
CATEDRAL DE ÉVORA A catedral de Évora, consagrada a Santa Maria, foi edificada
entre 1283 e 1308, num período já de afirmação
do gótico, mas onde ainda se assiste à permanência
da linguagem decorativa românica. A catedral foi construída
em terreno difícil, de forte inclinação, onde
o engenho de arquitectos e o saber dos canteiros foi duramente posto
à prova. A Catedral tem três naves. Na central, podemos ver a imagem
medieval da Nossa Senhora do Ó; defronte, o Anjo da Anunciação,
obra posterior do flamengo Olivier de Gand. Se aí pararmos
poderemos ver, em cima à direita, entre os arcos do trifório,
um busto. É o arquitecto da catedral, que assim posa para
a posteridade; as iniciais que exibe (C. E.), definem-no: Constructor
Edit. Estilos vários e épocas diversas caracterizam a catedral,
dando-lhe todavia uma unidade particular. O claustro gótico
é da primeira metade do século XIV. Aí está
sepultado o bispo fundador - D. Pedro -; aí funcionou o primeiro
concilium (concelho) da cidade, de que resta memória na pedra
de armas mais antiga da cidade. O arco da capela do Esporão
é a primeira manifestação do Renascimento em
Évora; a capela-mor é barroca (substituiu a abside
gótica em 1717), obra de D. João V, com mármores
alentejanos engalanando-a; já o cadeiral do coro é
quinhentista, com desenhos flamengos. Saliente-se ainda o museu
de Arte Sacra, com rico espólio. Aqui também funcionou
a Escola Polifónica da Sé de Évora, que, sobretudo
em Quinhentos, teve grande projecção, sob a protecção
do Cardeal-Rei D. Henrique. No portal, por entre marcas de canteiros medievais que na pedra
deixaram a sua memória, salientam-se o apostolado, obra de
grande sensibilidade artística, reflectindo no mármore
a visão medieva da palavra divina, transmitida sob a forma
de recado, de conselho, de aviso.
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5.
PRAÇA DE GIRALDO A meio do percurso deste roteiro, eis que o visitante chega à
Praça Grande, a actual Praça do Giraldo, herdeira
do "chão" onde se fez a primeira feira franca eborense,
ainda em tempo de D. Dinis. Era a confluência de percursos
urbanos polarizados pelos mosteiros mendicantes de S. Francisco
e S. Domingos. Rompida a Cerca Velha, Évora crescia rumo à muralha
fernandina do séc. XIV. Aqui estava o centro político
e o centro religioso: de um lado os paços do concelho, do
outro a igreja de Stº. Antão, que iniciou o estilo "chão"
alentejano, e que foi erguida sobre a primitiva igreja gótica
de Antoninho. Espaço também de quotidianos. Nas arcadas
a toda a volta se fazia (e faz) o comércio. Aqui se fizeram
autos-de-fé, torneios, justas e touradas. Aqui estava o pelourinho
e a Casa de Ver o Peso; aqui ficavam os antigos Estáus da
Coroa, que ocupavam o quarteirão entre a antiga Rua da Cadeia
e a Rua do Raimundo. Aqui está a fonte henriquina, construída
sobre um antigo chafariz incluso num pórtico, e onde terminava
a água trazida ao longo de 18km, desde as fontes da Prata.
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6.
IGREJA REAL DE S. FRANCISCO Com o triunfo da dinastia de Avis, em 1385, com a chegada das riquezas
do Oriente, Évora assume-se cada vez mais como centro político
e vila cortesã. Muitos foram os reis que aqui passaram, tornando-se
cidade preferida de monarcas. Aqui começaram a surgir edificações
que a enobrecem. A igreja conventual e palatina de S. Francisco,
edificada por D. João II e concluída no reinado de
D. Manuel I, foi construída sobre uma primitiva igreja gótica
do século XIII. A fachada destaca-se pela volumetria dos coroamentos, constituídos
por coruchés cónicos, por gárgulas de cariz
zoomórfico, por ameias chanfradas e por um pórtico
onde se exibem os emblemas régios dos dois monarcas seus
mecenas. Exemplar notável do tardo-gótico alentejano, a igreja
tem uma só nave (uma das maiores de Portugal), ladeada por
capelas comunicantes. Na abóbada ogival estão de novo
patentes os símbolos que a ligam à expansão
e aos seus fundadores: a Cruz de Cristo, o pelicano de D. João
II, a esfera armilar de D. Manuel I. À direita do altar-mor,
as janelas serviam para que os reis assistissem à missa,
vendo assim o padre de frente, numa época em que o sacerdote
oficiava sempre de costas para os fiéis.
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7.
IGREJA E CONVENTO DA GRAÇA Em plena expansão portuguesa, as ambições imperiais
gravaram-se nas pedras da Igreja da Graça. Edificada em formas
clássicas tão ao gosto do Renascimento, a Igreja foi
feita talvez para servir de túmulo ao seu mentor: D. João
III. O arquitecto foi Miguel de Arruda. Também aqui trabalhou
Nicolau de Chanterene, o mais notável escultor francês
que entre nós, no século XVI, desenvolveu a sua arte;
são da sua autoria, além da fachada da igreja e janelas
da capela-mor, os túmulos dos patronos - D. Francisco de
Portugal e esposa - hoje expostos no Museu de Évora. É uma das mais significativas obras do nosso Renascimento,
para o que contribuiu a cultura humanista de D. João III.
Ele mesmo mandou gravar na fachada um título de pendor romano:
"Pai da Pátria". No pórtico, em cima, temos
então as marcas do sonho do Império: os "quatro
meninos da Graça", as estátuas dos gigantes (ou
atlantes) que carregam as quatro partes do mundo onde os portugueses
aportaram.
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8.
LARGO DA PORTA DA MOURA Em pleno Renascimento, Évora cobre-se de monumentos. Grandiosos
uns, mais utilitários outros, mas todos dignos de realce.
Como a fonte renascentista de 1556, obra de Diogo de Torralva, mandada
erigir pelo maior mecenas da cidade, o Cardeal-Rei D. Henrique.
O seu chafariz era um dos principais pontos de abastecimento de
água na cidade antiga. Esta fonte foi construída com
donativos públicos dos vizinhos do largo; um dos que participou
foi o mais afamado tipógrafo da cidade, André de Burgos. Outros motivos de interesse tem este Largo da Porta da Moura. Defronte
da fonte, a casa Cordovil, com o seu mirante em manuelino-mudejar,
mescla do estilo próprio da expansão (o manuelino),
com o estilo de inspiração mourisca (o mudéjar). Entre as torres que guardam a antiga Porta de Moura, situa-se a
janela manuelina chamada de Garcia de Resende, poeta e cronista
eborense do Renascimento português, e autor do Cancioneiro
Geral, (compilação de toda a tradição
poética portuguesa do século XV e XVI).
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9.
UNIVERSIDADE DE ÉVORA / COLÉGIO DO ESPÍRITO
SANTO Em 1551, com o patrocínio do Cardeal-Rei D. Henrique, foi
instituída a Universidade de Évora, sob orientação
jesuíta. Sete anos mais tarde, o papa Paulo IV, deu-lhe concede-lhe
a necessária bula. Aqui se leccionavam os cursos de Teologia,
Filosofia, Matemática e Retórica. Cedo a universidade eborense se assumiu como um bastião do
saber, apesar do controle inquisitorial. As suas instalações,
de raiz, eram consideradas modelares, melhores de resto que as da
sua congénere coimbrã. No seu conjunto monumental
salientam-se o Claustro dos Gerais com dupla galeria de ordem toscana;
a Sala dos Actos, em estilo barroco; os azulejos historiados com
alusões a autores clássicos (Platão, Virgílio,
Aristóteles, Arquimedes); a igreja maneirista do Espírito
Santo (séc. XVI); a capela seiscentista de Nossa Sª.
da Conceição; a antiga livraria. Numa galeria do andar
cimeiro, uma estátua do historiador eborense Túlio
Espanca - autodidacta aqui sagrado Doutor Honoris Causa - vela por
este templo do saber. Extinta no século XVIII (1759), a Universidade retornou à
cidade em 1979.
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10.
PORTA DO MOINHO DE VENTO O fim deste percurso não é isento de simbolismo. Aqui,
na Porta do Moinho de Vento, chegámos ao local onde as cercas
se tocam: a velha e a nova, isto é, onde muralha nova medieval
se encontra com a velha muralha romana. Na verdade, a poucos metros,
à esquerda, temos a Porta de D. Isabel, onde começámos
esta viagem pelo tempo e pela História de Évora. Para
trás deixámos a soberba vista do Palácio dos
Condes de Basto, obra quinhentista edificada sobre o antigo castelo
da cidade (Alcáçova Velha); para trás deixámos
o troço de muralha romana onde assentam a actual pousada
e a Igreja dos Lóios. O topónimo "Porta do "Moinho de Vento", remonta
ao séc. XIII, mas o local certo levantou dúvidas durante
muito tempo. Este topónimo referiu-se, até ao século
XV, a uma outra porta já desaparecida, passando, depois,
a designar a actual. Aqui nasce a cerca fernandina (a "cerca
nova"), que se estende por 3 km, e onde originalmente se abriam
10 portas. Neste local, reencontram-se as idades Évora. O ciclo fecha-se.
Ou volta a abrir-se, na cidade Património da Humanidade.

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