Pensar a Cidade Educadora

O Município de Évora aderiu há precisamente vinte anos às redes Nacional e Internacional das Cidades Educadoras. A primeira constituída já por mais de oitenta municípios e a segunda com meio milhar de cidades repartidas por 34 países.
Esta adesão não se afirma apenas num programa ou num conjunto de projetos e ações. É um caminho, uma atitude, uma questão de princípio assente na valorização das pessoas, no usufruto dos espaços comuns, no respeito pela vivência coletiva, que se pretende democrática, integradora, valorizadora da cultura de cada povo, na busca constante por uma qualidade de vida individual e coletiva do cidadão.

De uma forma mais objetiva e pragmática a cidade educadora planifica o urbanismo, pensa a cidade construída e dos espaços verdes, as estruturas educativas formais, não formais e informais, as questões ambientais, a saúde, a atividade física, o desporto, a mobilidade e o trânsito, a comunicação. Mas também a história e o património emergentes em cada praça, rua ou lugar, o seu conhecimento e valorização.

Esta visão de planeamento estratégico, a partir dos conceitos e princípios da cidade que simultaneamente se educa e é educadora, pressupõe, para além de um conjunto de valores, um conjunto de ações objetivas, bem diferenciadas do imaginário das cidades utópicas de More ou de Campanella.

Implica (re)conhecer o espaço físico (território) e o espaço social - o que tem justificado particular atenção por parte de sociólogos, antropólogos, geógrafos, urbanistas, entre outros. Espaços de realidades físicas, materiais, mas também de grupos, de comunidades, de pessoas. Lugares de diferentes morfologias físicas e sociais que mereceram desenvolvido estudo no último século, em Halbwachs (1877-1945), Simmel (1859-1918) ou mais tarde Augé (1935-).

O reconhecimento do interesse da cidade de Évora neste processo de pensar a cidade e refletir o seu planeamento como conduta de antecipação é incontornável. Provam-no a existência de vários documentos de planeamento estratégico, elaborados nas últimas décadas, por iniciativa do município.

Em documento de avaliação e monitorização realizado em 2008 pela Universidade de Évora, sob a coordenação do Professor Paulo Neto e no qual viria a participar uma vasta equipa de especialistas desta universidade, pode ler-se: “Afigura-se consensual o pioneirismo do município eborense na área do Planeamento Urbano e Ordenamento do Território, constituindo exemplo maior o seu Plano Diretor Municipal, elaborado em finais dos anos setenta, e formalmente aprovado em 1985.” (Neto, 2008, p. 3). Mais à frente acrescenta a referência a três importantes documentos: PDM - Plano Diretor Municipal, de 1978; PEE94-Plano Estratégico de Desenvolvimento da Cidade de Évora, de 1994; PUE - Plano de Urbanização de Évora, de 2000”( p. 5).

O Plano Estratégico de Évora viria assim a constituir-se no primeiro documento de planeamento estratégico para a cidade que não tinha apenas uma visão de gestão do território físico, tendo dado origem ao desenvolvimento de outros planos sectoriais trabalhados a partir da rede de cidades europeias de média dimensão, nomeadamente o Plano estratégico de desenvolvimento cultural da cidade de Évora em 1999.

A cultura de um planeamento estratégico em rede já tem uma presença afirmada nas práticas da Autarquia; no entanto, importa reafirmar a importância da operacionalização das respostas sugeridas e das intervenções propostas. Implica passar do conhecimento, da ideia, à prática.

A cidade educadora deve, por isso, formar e informar, mas sobretudo proporcionar oportunidades de integração, participação e valorização de todos e de cada um. Dos mais novos aos mais velhos. Numa atitude não tutelar ou diretiva, mas propiciadora de processos de aquisição de valores de cidadania.

Em todo este processo, a Comunicação assume um papel determinante e incontornável. Razão maior que fundamenta e dá sentido à Newsletter - Evora Cidade Educadora, procurando esta constituir-se como uma ferramenta onde se apresentam reflexões, mas também práticas, dos mais variados sectores e contextos, sobre Évora enquanto cidade educadora. Espaço aberto de acolhimento e de convite à participação de todos.
 

 

 

 

CIDADE CANDIDATA A CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA
NA ROTA DE SER ÉVORA 2027

 

Por Paula Mota Garcia*

 

Évora é cidade candidata a Capital Europeia da Cultura, ação da União Europeia que Portugal volta a acolher em 2027. Construir esta candidatura a partir de Évora com foco para o Alentejo é assumir o exercício complexo de diálogo entre o passado e o presente, é ter a consciência das muitas vozes que gravitam é, acima de tudo, o exercício de levantar do chão e para isso concorre a ideia de que estamos todos interligados.

Consiste, simultaneamente, em posicionar um lugar sob o olhar do mundo, mas é mais ainda desenvolver um pensamento participado, sustentado e crítico sobre o quanto de Europa transporta – um desafio fascinante que nos obriga a erguer as páginas do território alentejano, a relacioná-las entre si e às páginas da Europa e do mundo. Estamos sempre em relação e é isso que esta candidatura deve promover: um território, as suas gentes, os seus patrimónios, a sua força nos contributos para a construção da identidade nacional e europeia. Um processo que se deseja cúmplice, comprometido e estruturante.

Atendendo ao contexto desta publicação e considerando a necessária relação da Cultura com outras escalas da dimensão humana, importa ressalvar que o projeto Capital Europeia de Cultura e o conceito de cidade educadora aproximam-se ao acolherem o permanente exercício de nos colocar em questão e de abordar a cidade como um instrumento central de aprendizagem e de crescimento ao longo da vida. Sublinhe-se a importância do potencial associado ao conceito de “cidade educadora” e os contributos da educação formal e informal para a capacidade de fazer crescer cidadãos informados e preparados para a exigência do mundo e onde se coloca a humanidade em perspetiva numa valorização dos seus gráficos relacionais e da sua capacidade de construir cidade em harmonia com o sistema social e cultural.

A iniciativa Capital Europeia da Cultura foi criada em 1985. E apesar da experiência de cidades portuguesas como Lisboa (1994), Porto (2001) e Guimarães (2012) que já foram distinguidas com o título, é a primeira vez que, em Portugal, várias cidades concorrem ao título. A cidade selecionada será Capital Europeia da Cultura em 2027, a par de uma cidade da Letónia.

Do lado da Comissão Europeia espera-se que as cidades respondam na sua candidatura a critérios sobre a dimensão europeia da cidade; apresentem um programa cultural e artístico, façam prova da contribuição para a estratégia cultural de longo prazo, valorizando o legado para lá de 2027, mostrem a capacidade de promover a participação de todos e revelem a capacidade de gestão e de concretização. Entende o processo de candidatura como uma oportunidade para as cidades repensarem todo um conjunto de ações de forma integrada, concorrendo assim para uma reorganização ao nível do desenvolvimento e da coesão territorial, colocando a cultura ao centro. Considera-se, portanto, que esta é uma oportunidade para regenerar cidades, elevar o perfil internacional, desenvolver o sentimento de pertença nos seus residentes, criar e desenvolver uma nova atmosfera cultural e impulsionar o turismo.

O Ministério da Cultura português publicou o Aviso de Concurso Nacional de acordo com o estabelecido pela Comissão Europeia, ou seja, seis anos antes da atribuição do título. As cidades interessadas em concorrer responderão até ao dia 23 de novembro de 2021 através da apresentação de um BidBook, documento que formaliza a intenção de uma cidade candidata ao título de Capital Europeia da Cultura. Em abril de 2022, será publicada a shortlist das cidades que são convidadas a detalhar as suas propostas de acordo com um conjunto de recomendações e a decisão final do júri será conhecida entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023.

 

*Coordenadora da Equipa de Missão Évora 2027 – Cidade Candidata a Capital Europeia da Cultura.

   

 

A CIDADE E A ARTE

 

Por regra, quando se fala da dimensão patrimonial de Évora enaltece-se a sua monumentalidade. Isto é, o edificado arquitetónico que sustenta o conceito geral de “monumento”, ainda que aí caibam também os imóveis, conjuntos e sítios. Em todo o caso, é um conceito redutor da importância histórica da cidade. Isto porque nenhum monumento se define sem ter em conta a sua expressão artística, que é aquilo que o personaliza e, em boa medida, o classifica. A arte é, de facto, esse denominador comum por onde se pode “ler” o património edificado, até mesmo o arqueológico, como é exemplarmente o caso do nosso Templo Romano.

 

Todavia, a arte que se pode observar e fruir na paisagem urbana de Évora não se esgota nos seus edifícios e estruturas monumentais. Ultrapassando o vão da porta de muitas igrejas e palácios é ainda a arte que nos guia, seja na continuidade da expressão arquitetónica dos interiores, seja na descoberta do “equipamento artístico” que os decora. Acresce que alguns destes imóveis ou estão musealizados (Palácio de D. Manuel, Palácio de Cadaval e Solar dos Condes de Basto, por exemplo), ou eles próprios são museus, como é o caso do Museu de Arte Sacra da Sé de Évora e o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo.  (ler mais)

 

Conservação e restauro num centro histórico classificado

 

A cidade de Évora viu o seu centro histórico classificado pela UNESCO em 1986, conforme podemos ler na sua Declaração de Valor, não só mas também porque “O interesse cultural de Évora não se limita ao património monumental ligado aos acontecimentos históricos significativos e a iniciativas reais. Um conjunto de casas senhoriais antigas do Séc. XVI (Casa Cordovil, Casa Garcia de Resende) são disso demonstrativas. Com efeito, a qualidade única da cidade deve-se à coerência de uma arquitectura menor, dos Séc.s XVI, XVII e XVIII que se exprime globalmente num conjunto de casas térreas, brancas de cal, cobertas de telhas ou de terraços, apertadas ao longo de ruas estreitas que seguem a estrutura medieval no núcleo antigo e ilustram o crescimento concêntrico até ao séc. XVII.” E foi este o mote para o trabalho que desenvolvi como conservadora restauradora ao serviço do município. (ler mais)

 

A Cidade Educadora em tempos de COVID-19

 

Neste momento especial de celebração, o mundo todo vive tempos difíceis. Celebração porque este ano assinalamos os 30 anos da Proclamação da Carta das Cidades Educadoras, o documento fundador do movimento das cidades que compõem a Associação Internacional das Cidades Educadoras. Tempos difíceis porque vivemos uma crise sem precedentes em todas as áreas, provocada pela pandemia de coronavírus (COVID-19).

A influência das cidades nos assuntos nacionais e mundiais aumentou consideravelmente nos últimos anos. Em parte, isso deve-se ao crescimento do número de moradores nas cidades. Desde 2008, a maioria da população mundial vive em cidades. Em 2030, é provável que a proporção exceda os 60%. À medida que as cidades se expandem, os governos municipais enfrentam reptos associados à inclusão social, às novas tecnologias, à economia do conhecimento, à diversidade cultural e à sustentabilidade ambiental. 
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Anta Grande do Zambujeiro: governo define zona especial de proteção

A Anta Grande do Zambujeiro, monumento nacional localizado no concelho de Évora, já tem definida a sua zona especial de proteção (ZEP).
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Câmara de Évora apoia Associações Juvenis

A Câmara Municipal de Évora estabeleceu, recentemente, uma série de protocolos com nove associações juvenis do concelho, o que significou um apoio financeiro total a rondar os seis mil euros (5.750 Euros).
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Alto de São Bento vai voltar a ter um moinho de vento para a função tradicional da moagem de cereal

Tiveram início os trabalhos de recuperação de mais um dos 5 moinhos de vento do núcleo molinológico do Alto de São Bento, desta vez para a sua função tradicional da moagem de cereal.
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Março – Mês da Juventude 2021

Em Évora, arrancou oficialmente no dia 1 de março o "Mês da Juventude - Vencer a Pandemia, Agir pelo Ambiente, construir um Concelho Sustentável".
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10 OUTUBRO

Dia Mundial da Saúde Mental
 

O dia 10 de Outubro é, desde 1992, por iniciativa da Federação Mundial para a Saúde Mental, (World Federation for Mental Health) comemorado como o Dia Mundial da Saúde Mental. (ler mais)

 

 

 

9 NOVEMBRO

Dia Mundial da Ciência
 

Numa cidade educadora, onde a aprendizagem, a partilha e o desenvolvimento de cada um e em todo o tempo representam um percurso consciente e construtivo, a ciência assume um papel de destaque.
Évora tem, no seu território, diferentes instituições produtoras e difusoras de conhecimento, a ciência e a cultura são assumidamente “fundamentais para o desenvolvimento de Évora” nas Opções do Plano e Orçamento Municipal para 2020.“
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25 NOVEMBRO

Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres

 

A violência contra as mulheres, seja ela de natureza física, sexual ou psicológica, é um problema social e de saúde pública que atinge todas as nacionalidades, etnias, religiões, escolaridade, profissões, classes sociais. É considerado um dos principais obstáculos à plena cidadania, liberdades e direitos das mulheres e como sendo uma manifestação de desigualdade histórica das relações de poder entre homens e mulheres. (ler mais

 

 

 

30 NOVEMBRO

Dia Internacional da Cidade Educadora
 

Évora integra a Associação Internacional das Cidades Educadoras (AICE) desde 2001 e, desde então, tem desenvolvido várias ações e projetos educadores com os diversos atores do território (consulte alguns aqui), com vista ao desenvolvimento integral das pessoas que o habitam. (ler mais) 

 

 

 

20 DEZEMBRO

Dia Internacional da Solidariedade Humana
 

As sociedades são estruturas dinâmicas, perfeitamente permeáveis às constantes mutações económicas, sociais e culturais que vamos vivendo. Neste movimento perpétuo de alteração e ajustamento assistimos a conquistas, por exemplo, no domínio tecnológico e científico, as quais possibilitam ganhos significativos para as comunidades.  (ler mais) 

 

 


16 OUTUBRO

Dia Mundial da Alimentação

 

O Dia mundial da alimentação cujo tema este ano foi “Cultivar, Semear e preservar juntos o Planeta – As nossa ações são o nosso futuro”, foi dinamizado com o objectivo de promover a saúde através de uma alimentação adequada e sustentável.  (ler mais)

 

 
15 NOVEMBRO

Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada

 

Este ano, celebram-se os 25 anos do Dia da Memória - criado pela FEVR (Federação Europeia de Vítimas da Estrada) - e os 15 anos da sua oficialização enquanto Dia Mundial pela Assembleia Geral da ONU. (ler mais) 

 

 
 
29 NOVEMBRO

Dia Internacional da Solidariedade com o Povo Palestiniano

 

A data foi instituída pela ONU como forma de lembrar a Resolução 181 da Assembleia Geral das Nações Unidas aprovada, justamente, no dia 29 de novembro de 1947. Esta Resolução definiu a partilha da Palestina em dois Estados, um árabe e um judaico, com Jerusalém com estatuto internacional. Destes, só o Estado judaico foi constituído. (ler mais) 

 

 

 

3 DEZEMBRO

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência
 

A Associação de Paralisia Cerebral de Évora pretende, com este projeto, promover a participação ativa dos seus utentes e famílias na melhoria das acessibilidades no Centro Histórico (CH) de Évora e sensibilizar a comunidade para a importância da realização de obras e alterações de trânsito, de forma a facilitar a mobilidade de todos. (ler mais) 

 


13 FEVEREIRO
Dia Mundial da Rádio

 

 

Uma cidade é vida, atribuída pela sua vivência, pela sua história, pela sua beleza, pelo seu empreendedorismo e pelo seu comércio.
Esta vida em sociedade pressupõe educação, respeito, partilha.
Quando há 20 anos Évora aderiu à Rede Internacional Cidades Educadoras, grupo que reúne mais de 500 cidade em 34 países, nós a comunicação social regional partilhámos este momento com os nossos leitores e ouvintes.
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Nesta edição colaboraram: Francisco Bilou; Susana Coelho; Divisão de Informática e Tecnologias da Informação | Augusto Balça; Paula Mota Garcia | Equipa de Missão Évora 2027 – Cidade Candidata a Capital Europeia da Cultura; GARE | Adérito Araújo; Paulo Piçarra | Diário do Sul; Conselho Português para a Paz e Cooperação; Coordenação da NEI Évora | Universidade de Évora; Divisão de Educação e Intervenção Social; Associação de Paralisia Cerebral de Évora; Divisão de Juventude e Desporto.

 

 

  
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