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… antigamente
não
era
permitido
às
mulheres
frequentarem
as
sociedades
recreativas?
Em
Portugal,
com
o
triunfo
do
liberalismo,
em
1820,
e
com
a
estabilização
dos
ideais
liberais,
estabelecidos
pela
Revolução
de
1836,
formaram-se
associações
com
diversos
fins.
O
direito
ao
associativismo
surgiu
com
a
Constituição
de
1838,
artº
14º,
estabelecendo
posteriormente
o
Código
Civil
de
1867,
na
sua
Parte
II,
Livro
I,
Titulo
I,
artº
359,
nº
3, o
direito
de
associação
como
um
dos
direitos
originários,
resultantes
da
própria
natureza
do
homem,
que
a
lei
civil
reconhecia
e
protegia.
A
partir
de
1834
proliferaram
as
sociedades
de
recreio
e
instrução,
em
vários
pontos
do
País,
espaços
de
convívio
onde
a
burguesia
organizava
os
seus
lazeres.
Também
Évora
não
foi
exceção.
No
século
XIX,
Évora,
não
dispunha
de
muitos
espaços
públicos
de
sociabilidade,
com
exceção
do
Teatro
e do
Passeio
Público.
As
sociabilidades
ocorriam
essencialmente
no
espaço
doméstico
e
privado,
surgindo
as
sociedades
como
espaço
intermédio
entre
a
privacidade
doméstica
e os
locais
que,
situando-se
ou
não
ao
ar
livre,
possibilitavam
uma
acessibilidade
com
menores
restrições.
Com
exceção
do
Carnaval
e do
1º
de
Dezembro,
alguns
espetáculos
teatrais,
sessões
musicais
e as
touradas,
nada
mais
acontecia
na
cidade.

Os
primeiros
espaços
de
lazer,
onde
as
práticas
surgiam
conforme
a
iniciativa
dos
sócios,
na
sua
maioria
homens.
Note-se
que
Só
os
homens
podiam
figurar
como
sócios,
as
mulheres
apenas
tinham
acesso
a
estes
espaços
de
sociabilidade
masculina
quando
se
realizavam
«reuniões
de
famílias».
Foram
os
seguintes:
-
1837,
o
Círculo
Eborense,
o
qual
visava
a
honesta
convivência
dos
sócios
e
sua
família
e o
convívio
era
o
objetivo
fundamental
da
associação;
-
1839,
Sociedade
Civilizadora
União
Eborense,
mais
tarde
designada
de
Sociedade
União
Eborense,
com
o
objetivo
de
contribuir
para
o
recreio
e
instrução
dos
associados
e
fomentar
as
representações
teatrais;
-
1853,
Sociedade
Harmonia
Eborense,
já
com
objetivos
recreativos
e
culturais.
Na
segunda
metade
de
oitocentos,
a
vertente
associativa
de
cariz
cultural
e
recreativo
adquiriu
uma
crescente
implantação
no
meio
eborense,
suscitando
o
interesse
de
um
maior
número
de
pessoas,
pelo
que,
no
final
do
século,
Évora
apresentava
já
um
número
1)
significativo
de
associações,
as
quais
fortaleceram
áreas
como
a
música,
o
teatro
e o
desporto
e
que
passamos
a
descrever:
-
1881,
Grupo
de
Amadores
de
Música
Academia
de
Minerva,
o
qual
nasce
da
cisão
da
Banda
Filarmónica
Alunos
de
Minerva;
-
1888,
Banda
Filarmónica
1º
de
Dezembro;
-
1892,
Real
Grupo
de
Amadores
de
Música,
o
Grupo
Dramático
Mendes
Leal,
a
Associação
Comercial
e a
Sociedade
Recreio
Familiar;
-
1895,
Sociedade
Camilo
Castelo
Branco
e o
Clube
Velocipedista;
-
1896,
Ciclo
Clube
d’
Évora
-
1899,
Sociedade
Almeida
Garrett.
No
início
do
século
XX,
surgem:
-
1900,
Sociedade
Grupo
Recreio
1º
de
Dezembro;
-
1903,
Grupo
Recreativo
Dramático
Mocidade
Eborense;
-
1904,
Sociedade
Operária
Recreativa
Joaquim
António
d’Aguiar
e o
Grupo
União
de
Caça
e
Pesca.
O
Arquivo
Municipal
de
Évora
inicia
o
ano
de
2019
homenageando
alguns
eborenses
que
muito
contribuíram
para
que
a
vertente
associativa
de
carácter
cultural
se
implantasse
em
Évora.
A
foto
mostra
os
nomes
dos
titulares
dos
cargos
diretivos
da
Escola
do
Grupo
de
Amadores
de
Música
Eborense
durante
o
ano
de
1957.
BIBLIOGRAFIA:
BERNARDO,
Maria
Ana.
Sociabilidade
e
Distinção
em
Évora
no
Século
XIX:
O
Círculo
Eborense.
Lisboa,
Edições
Cosmos,
2001.
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