Sabia que...
 
Edição de 22 de janeiro de 2019
 
   
 

 

… antigamente não era permitido às mulheres frequentarem as sociedades recreativas?

Em Portugal, com o triunfo do liberalismo, em 1820, e com a estabilização dos ideais liberais, estabelecidos pela Revolução de 1836, formaram-se associações com diversos fins. O direito ao associativismo surgiu com a Constituição de 1838, artº 14º, estabelecendo posteriormente o Código Civil de 1867, na sua Parte II, Livro I, Titulo I, artº 359, nº 3, o direito de associação como um dos direitos originários, resultantes da própria natureza do homem, que a lei civil reconhecia e protegia. A partir de 1834 proliferaram as sociedades de recreio e instrução, em vários pontos do País, espaços de convívio onde a burguesia organizava os seus lazeres. Também Évora não foi exceção.

No século XIX, Évora, não dispunha de muitos espaços públicos de sociabilidade, com exceção do Teatro e do Passeio Público. As sociabilidades ocorriam essencialmente no espaço doméstico e privado, surgindo as sociedades como espaço intermédio entre a privacidade doméstica e os locais que, situando-se ou não ao ar livre, possibilitavam uma acessibilidade com menores restrições. Com exceção do Carnaval e do 1º de Dezembro, alguns espetáculos teatrais, sessões musicais e as touradas, nada mais acontecia na cidade.

Os primeiros espaços de lazer, onde as práticas surgiam conforme a iniciativa dos sócios, na sua maioria homens. Note-se que Só os homens podiam figurar como sócios, as mulheres apenas tinham acesso a estes espaços de sociabilidade masculina quando se realizavam «reuniões de famílias». Foram os seguintes:

- 1837, o Círculo Eborense, o qual visava a honesta convivência dos sócios e sua família e o convívio era o objetivo fundamental da associação;

- 1839, Sociedade Civilizadora União Eborense, mais tarde designada de Sociedade União Eborense, com o objetivo de contribuir para o recreio e instrução dos associados e fomentar as representações teatrais;

- 1853, Sociedade Harmonia Eborense, já com objetivos recreativos e culturais.

Na segunda metade de oitocentos, a vertente associativa de cariz cultural e recreativo adquiriu uma crescente implantação no meio eborense, suscitando o interesse de um maior número de pessoas, pelo que, no final do século, Évora apresentava já um número 1) significativo de associações, as quais fortaleceram áreas como a música, o teatro e o desporto e que passamos a descrever:

 - 1881, Grupo de Amadores de Música Academia de Minerva, o qual nasce da cisão da Banda Filarmónica Alunos de Minerva;

- 1888, Banda Filarmónica 1º de Dezembro;

- 1892, Real Grupo de Amadores de Música, o Grupo Dramático Mendes Leal, a Associação Comercial e a Sociedade Recreio Familiar;

- 1895, Sociedade Camilo Castelo Branco e o Clube Velocipedista;

- 1896, Ciclo Clube d’ Évora

- 1899, Sociedade Almeida Garrett.

No início do século XX, surgem:

- 1900, Sociedade Grupo Recreio 1º de Dezembro;

- 1903, Grupo Recreativo Dramático Mocidade Eborense;

- 1904, Sociedade Operária Recreativa Joaquim António d’Aguiar e o Grupo União de Caça e Pesca.

O Arquivo Municipal de Évora inicia o ano de 2019 homenageando alguns eborenses que muito contribuíram para que a vertente associativa de carácter cultural se implantasse em Évora. A foto mostra os nomes dos titulares dos cargos diretivos da Escola do Grupo de Amadores de Música Eborense durante o ano de 1957.

BIBLIOGRAFIA: BERNARDO, Maria Ana. Sociabilidade e Distinção em Évora no Século XIX: O Círculo Eborense. Lisboa, Edições Cosmos, 2001.

 

 

 

 


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