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as
Brincas
Carnavalescas
são
uma
antiga
tradição
da
região
de
Évora?
“As Brincas
de
Évora
são
uma
forma
de
teatro
comunitário
que
acontece
durante
o
Carnaval.
Organizadas
por
grupos
informais
que
escolhem
e
ensaiam
textos
escritos
em
décimas,
as
Brincas
misturam
tragédias
e
dramas
com
a
intervenção
constante
de
palhaços
faz-tudo.
São
representadas
na
rua,
em
praças
e
pátios
ou
mesmo
em
espaços
fechados
se
estiver
a
chover,
nas
freguesias
rurais
de
Évora.”
A
definição
é
apresentada
por
Isabel
Bezelga,
investigadora
da
Universidade
de
Évora,
no
sítio
online
do
Projeto
MEMORIAMEDIA,
o
qual
tem
por
objetivo
o
estudo,
a
inventariação
e
divulgação
de
manifestações
do
património
cultural
imaterial.
Relativamente
à
origem
desta
forma
de
teatro
popular,
“não
foram
encontrados
registos
relacionados
com
as
Brincas
anteriores
ao
início
do
séc.
XX.
Uma
das
explicações
para
esta
falta
de
registos
históricos
pode
estar
relacionada
com
o
facto
dos
participantes
se
situarem
fora
da
notabilidade
histórica”,
considerando-se
haver
ainda
“todo
um
trabalho
de
investigação
a
realizar
para
traçar
a
presença
de
manifestações
teatrais
populares
no
Alentejo
que
terá
de
relacionar
a
explosão
teatral
do
Século
de
Ouro
Espanhol
com
o
facto
de
Évora
se
encontrar
no
caminho
das
trupes,
entre
Sevilha
e
Lisboa.”

Quanto à
caracterização
das
brincas,
Isabel
Bezelga
acrescenta
que
"esta
forma
dramática,
parente
de
outras
tradições
performativas
nacionais
e
internacionais
(Floripes
do
Minho,
Papeladas
de
Valongo,
Danças
dramáticas
da
Terceira,
Tchiloli
de
São
Tomé,
Bumba
meu
Boi
e
Cavalo
Marinho
de
múltiplas
regiões
do
Brasil)
é
constituída
por
um
grupo
de
homens
e
rapazes
que
vai
soltando
décimas,
numa
cadência
ritmada
bem
audível
e,
dessa
forma,
co(a)ntam
uma
antiga
história
(Fundamentos).
Pelo
meio,
um
trio
de
faz-tudos
desafia
e
intromete-se
com
a
assistência,
contrastando
nitidamente
com
o
aprumado
figurino
dos
restantes
performers:
calça,
casaco
e
chapéu
escuros
atravessados
por
fitas
de
seda
coloridas
pespontadas
com
flores
de
papel.
Uma
marcha
lenta
evolui
coreograficamente
em
torno
de
um
estandarte,
coordenados
pelo
Mestre,
ao
som
do
acordeão
e
percussões,
desembocando
num
círculo
perfeito.”
Tratando-se
de
grupos
de
natureza
informal,
o
seu
número
pode
variar
de
ano
para
ano
sendo
que,
na
década
de
80
do
século
passado,
chegaram
a
existir
oito
grupos
em
atividade.
Atualmente,
e
nos
anos
mais
recentes,
são
os
Grupos
de
Brincas
dos
Canaviais
e do
Rancho
Folclórico
Flor
do
Alentejo,
os
responsáveis
pela
manutenção
e
divulgação
desta
manifestação
cultural
do
concelho
de
Évora.
Para saber
mais
sobre
as
brincas
e a
sua
história
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