Sabia que...
 
20 de março de 2018
 
   
 


... o Antigo Carro de Água foi reconstruído entre 2000 e 2002?  ?
 

O antigo carro de água é uma peça rara no meio automobilístico e única na história da cidade. O carro, da marca Laffly/Arroseuse, era de fabrico francês e foi adquirido pela Câmara Municipal de Évora em 1926, à Casa Specia, L.da – Société Portugaise d`Expansion Commerciale, Industrielle et Agricole, L.da., situada, na época, no n.º 9 da Praça de D. Luiz, em Lisboa, e o seu custo final foi de 53.235$00.

Foi entregue a Évora a 5 de maio de 1927 tendo começado a sua atividade nesse mesmo ano, ficando em circulação durante quatro décadas. Cessou a sua atividade entre 1958 e 1963 e o seu último motorista era conhecido por Sr. Fialho. Para além desta designação, ‘Carro de Água’, o carro tinha outras denominações como ‘camion-tanque’, ‘auto-rega’, ‘carro de rega’, ‘camionete de rega’ e ‘automóvel para regas’. Tinha como função a rega das ruas, largos, praças da cidade e particularmente do Rossio de S. Brás, na época da feira e nos dias de mercado.

Este tipo de carro foi utilizado em várias cidades do país, nomeadamente em Lisboa, pois pela sua função era imprescindível para a higiene pública. A cisterna tinha uma capacidade de 2.244 litros, com uma bomba de aspiração e duas bocas-de-incêndio, podendo elevar água a 30 m.

O carro de água, propriedade dos Serviços de Higiene da Câmara Municipal de Évora, com um valor patrimonial para a cidade, foi restaurado entre 2002-02 através do Projeto de Interpretação do Património Hidráulico de Évora (PIPHE), uma vez que se encontrava em elevado estado de degradação.

Foi publicado pela Câmara Municipal de Évora, um artigo sobre este veículo com interesse histórico no “Boletim Cultural- A Cidade de Évora, II Série, nº 8”, em 2009.

O Carro de água integra hoje a coleção da Unidade Museológica CEA – Central Elevatória de Água.

«No Rossio, a camioneta da água da Câmara andava pelos arruamentos definidos no recinto, molhando a terra solta e escaldante, baixando o pó e levantando um cheiro a barro húmido e quente. Durante os dias da feira repetia várias vezes o mesmo circuito. O tempo de fazer uma volta e de ir reabastecer-se era suficiente para que tudo secasse. Este autotanque dos “tempos pré-históricos” tinha nas rodas aros de borracha maciça em vez de pneus e uma sineta que o motorista badalava, avisando tudo e todos da sua aproximação, espalhando água. Correndo ao lado dos jactos que lançava, a garotada aproveitava para um “duche” municipal.
Por uns momentos tudo ficava depois mais fresco e sem poeira…»

in A. M. Galopim de Carvalho, O Autotanque in O Cheiro da Madeira, Editorial Notícias, [1993], p.141.

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