Sabia que...
 
Edição de 19 de fevereiro de 2019
 
   
 

 

… só em 1887 foi aprovado o contrato para exploração da iluminação pública a gás em Évora?

Em 12 de Maio de 1884, a Câmara Municipal de Évora decidiu abrir concurso para a iluminação da cidade a gás, todavia, apenas em sessão camarária de 30 de Junho de 1887, é aprovado o contrato provisório com os engenheiros Alfred Harrison e Diogo Souto, representantes da companhia Inglesa que constituiu em Portugal a Companhia Geral de Iluminação a Gás, filial de uma companhia Britânica que explorava a iluminação a gás de outras cidades.

A proposta apresentada para Évora consistia num candeeiro para cada 45 metros de canalização. A Câmara garantia um mínimo de 500 candeeiros por um período de 50 anos, mediante o pagamento anual do fornecimento do gás para a iluminação de cada candeeiro de 15$000 réis e o preço do m3 para uso doméstico e industrial de 80 réis.

A Companhia Geral de Iluminação a Gás entregou a montagem da fábrica do Gás em Évora a uma empresa estrangeira – Sociedade Dalhaise, Magerman & Van Hulle – a qual adjudicou a obra de construção do edifício a Damazo e Ribeiro, empreiteiros eborenses.

A fábrica ocupava 450 m2 e situava-se no Rossio de S. Brás num terreno que marginava com a estrada que ia da estação do caminho-de-ferro até à cidade, numa zona com fraca ocupação populacional, afastada do centro da cidade para que não houvesse riscos de poluição.

A exploração de produção e distribuição do gás era feita pela empresa, sendo a Câmara a estabelecer os locais em que deviam colocar-se os candeeiros. Assim, logo que o sol se punha, o pessoal da repartição de iluminação da Câmara percorria a cidade para confirmar se os candeeiros estavam acesos e ao mesmo tempo verificavam a intensidade e pureza da sua chama.

A iluminação das cidades esteve ligada ao maior usufruto de espaços públicos, como os jardins e passeios públicos, pelo que em 1891 houve a preocupação urbanística de se iluminar a gás o Passeio Público de Évora.

Com o aumento da vida social e cultural, no final do século XIX, passaram a realizar-se bailes e espetáculos teatrais e musicais na cidade, sendo estes últimos favorecidos pela construção do Teatro Garcia de Resende que inaugurou a iluminação a gás no seu edifício em 29 de Agosto de 1890.

A iluminação foi ainda uma forma de valorização dos melhoramentos efetuados na cidade, pelo que aquando da instalação do relógio na Igreja de Santo Antão, a edilidade mandou que o mesmo fosse iluminado.

 

BIBLIOGRAFIA

MATOS, Ana Cardoso de. “Aspetos Técnicos, empresariais e sociais do abastecimento de gás e eletricidade à cidade de Évora (1890-1942)” IN Boletim A Cidade de Évora. Évora: Câmara Municipal de Évora, 2001, II Série, nº5, pg. 291-320.

 

 

 

 

 

 

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