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… só
em
1887
foi
aprovado
o
contrato
para
exploração
da
iluminação
pública
a
gás
em
Évora?
Em 12 de Maio de 1884,
a
Câmara
Municipal
de
Évora
decidiu
abrir
concurso
para
a
iluminação
da
cidade
a
gás,
todavia,
apenas
em
sessão
camarária
de
30
de
Junho
de
1887,
é
aprovado
o
contrato
provisório
com
os
engenheiros
Alfred
Harrison
e
Diogo
Souto,
representantes
da
companhia
Inglesa
que
constituiu
em
Portugal
a
Companhia
Geral
de
Iluminação
a
Gás,
filial
de
uma
companhia
Britânica
que
explorava
a
iluminação
a
gás
de
outras
cidades.
A proposta apresentada
para
Évora
consistia
num
candeeiro
para
cada
45
metros
de
canalização.
A
Câmara
garantia
um
mínimo
de
500
candeeiros
por
um
período
de
50
anos,
mediante
o
pagamento
anual
do
fornecimento
do
gás
para
a
iluminação
de
cada
candeeiro
de
15$000
réis
e o
preço
do
m3
para
uso
doméstico
e
industrial
de
80
réis.
A Companhia Geral de
Iluminação
a
Gás
entregou
a
montagem
da
fábrica
do
Gás
em
Évora
a
uma
empresa
estrangeira
–
Sociedade
Dalhaise,
Magerman
&
Van
Hulle
– a
qual
adjudicou
a
obra
de
construção
do
edifício
a
Damazo
e
Ribeiro,
empreiteiros
eborenses.
A fábrica ocupava 450
m2 e
situava-se
no
Rossio
de
S.
Brás
num
terreno
que
marginava
com
a
estrada
que
ia
da
estação
do
caminho-de-ferro
até
à
cidade,
numa
zona
com
fraca
ocupação
populacional,
afastada
do
centro
da
cidade
para
que
não
houvesse
riscos
de
poluição.
A exploração de produção
e
distribuição
do
gás
era
feita
pela
empresa,
sendo
a
Câmara
a
estabelecer
os
locais
em
que
deviam
colocar-se
os
candeeiros.
Assim,
logo
que
o
sol
se
punha,
o
pessoal
da
repartição
de
iluminação
da
Câmara
percorria
a
cidade
para
confirmar
se
os
candeeiros
estavam
acesos
e ao
mesmo
tempo
verificavam
a
intensidade
e
pureza
da
sua
chama.
A iluminação das cidades
esteve
ligada
ao
maior
usufruto
de
espaços
públicos,
como
os
jardins
e
passeios
públicos,
pelo
que
em
1891
houve
a
preocupação
urbanística
de
se
iluminar
a
gás
o
Passeio
Público
de
Évora.
Com o aumento da vida
social
e
cultural,
no
final
do
século
XIX,
passaram
a
realizar-se
bailes
e
espetáculos
teatrais
e
musicais
na
cidade,
sendo
estes
últimos
favorecidos
pela
construção
do
Teatro
Garcia
de
Resende
que
inaugurou
a
iluminação
a
gás
no
seu
edifício
em
29
de
Agosto
de
1890.
A iluminação foi ainda
uma
forma
de
valorização
dos
melhoramentos
efetuados
na
cidade,
pelo
que
aquando
da
instalação
do
relógio
na
Igreja
de
Santo
Antão,
a
edilidade
mandou
que
o
mesmo
fosse
iluminado.

BIBLIOGRAFIA
MATOS,
Ana
Cardoso
de.
“Aspetos
Técnicos,
empresariais
e
sociais
do
abastecimento
de
gás
e
eletricidade
à
cidade
de
Évora
(1890-1942)”
IN
Boletim
A
Cidade
de
Évora.
Évora:
Câmara
Municipal
de
Évora,
2001,
II
Série,
nº5,
pg.
291-320.
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