Sabia que...
 
Edição de 18 de setembro de 2018
 
   
 


... A estátua que se encontra no Jardim Diana é de Francisco Barahona Fragoso?

Francisco Eduardo de Barahona Fragoso Cordovil de Gama Lobo foi moço fidalgo com exercício na Casa Real, Par do Reino e opulento lavrador. Natural de Cuba, distrito de Beja, era filho dos Condes da Esperança e bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra.

Em 1866, ao regressar de Coimbra, fixou-se na Quinta de S. Pedro, junto a Cuba, onde se entregou à administração da sua casa, como abastado lavrador. Um ano depois mudou a sua residência para Évora onde contraiu matrimónio com D. Inácia Fernandes Ramalho, viúva do importante lavrador e proprietário José Maria Ramalho Dinis Perdigão.

Num curto espaço de tempo granjeou o respeito, a admiração e o amor dos eborenses. Imbuindo generosidade mandou construir o magnífico Teatro Garcia de Resende que há muito se encontrava apenas com as paredes erguidas e em finais do século XIX mandou restaurar o templo de S. Francisco. Edificou um asilo destinado à infância desvalida, equipou-o e ofereceu-o ao Estado. Encontrando-se a Igreja de S. Brás em ruínas custeou o seu restauro. Na quinta que possuía na Horta do Bispo instalou um albergue para inválidos (Asilo Ramalho Barahona), subsidiou a grandiosa obra do Aqueduto da Água da Prata, e para além destas obras iniciou uma valiosíssima galeria de arte, em sua casa (antiga sede da Companhia de seguros “A Pátria”, hoje Tribunal da Relação de Évora), com o intuito de proteger o desenvolvimento das belas artes em Portugal e simultaneamente preparar o futuro museu eborense, pois era sua intenção legar esses valores ao Museu Regional de Évora.

Entre janeiro de 1896 e outubro de 1900 presidiu a edilidade eborense.

Este ilustre benfeitor foi ainda cofundador do diário eborense “Notícias de Évora” que através das suas inúmeras transformações conseguiu ser o mais antigo diário do Alentejo.

Falecido a 25 de janeiro de 1905 a sua morte foi profundamente sentida na cidade.

A Câmara Municipal de Évora em sessão de 26 de janeiro de 1905 (documento deste mês de outubro) apresentou a mais profunda consternação e intenso pesar pelo facto ocorrido e propôs a criação de uma comissão para que fosse erigido um monumento ao grande benemérito desta terra.

O monumento foi efetivamente erguido no Jardim Diana com a legenda “Ao/Dr. Barahona/por/Subscrição Pública/1908” e no topo axial “Évora Reconhecida”.

 

BIBLIOGRAFIA

MONTE, Gil do. Dicionário Histórico e Bibliográfico de Artistas Amadores e Técnicos Radicados em Évora. Évora: Gráfica Eborense, 1974,p. 18-20.

SILVA, Joaquim Palminha. Dicionário Biográfico de Notáveis Eborenses: 1900/2000. Évora: Diário do Sul,2004, p. 12.

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