Sabia que...
 
Edição de 17 de setembro de 2019
 
   
 

 

… até ao início do Séc. XX o acesso ao ensino secundário era interdito às mulheres?

De acordo com a física do século XIX, cada ser humano era dotado de certa quantidade de energia, que se mantinha constante no corpo. A fim de manter essa força vital não era aconselhável a mulher dispor de uma instrução aprofundada, pois reduzia a energia disponível dos órgãos reprodutores causando a esterilidade ou, pelo menos, tornava-a menos fecunda. Esta tese era apoiada por médicos, filósofos e largo setor da opinião esclarecida da época. O provérbio português “Burra que faça him e mulher que saiba latim não a quero para mim” traduz a reprovação social de que a mulher era alvo.

Assim, as raparigas eram desencorajadas a prosseguirem uma instrução para além da escolaridade básica, o que se refletia nas elevadas taxas de analfabetismo feminino. Só a partir de meados do século é que a situação mudou, progredindo a participação feminina nos diversos níveis de ensino.

Em Évora tal, como no resto do País, o ensino secundário foi de início de exclusiva população masculina, com apenas três exceções, as irmãs Sofia Margarida e Maria do Carmo Affreixo e Inês Augusta Peres de Figueiredo, matriculadas como internas, no Liceu Nacional de Évora.

Em 1907 matriculou-se a primeira aluna da série ininterrupta, Luzia Leite Brandão e no ano letivo 1909-1910 a população feminina atingiu a dezena. Corajosas mulheres a quem prestamos a nossa homenagem com a menção dos seus nomes:

- Alice Ribeiro
- Carolina Condeço
- Cecília Batista
- Florbela Dalma da Conceição Espanca
- Florinda Paiva
- Joaquina Rosa Cutileiro
- Judithe Augusta de Andrade
- Maria Castilho Gady
- Mónica do Anjo Vieira Berlim
- Olga Joaquina Rebelo Simões

“A intromissão das meninas na vida escolar parece afinal até ter sido bastante benéfica para a educação dos rapazes que modificaram a linguagem obscena e tomaram ares de gentlemen perante as colegas que passaram a ser encaradas e respeitadas como companheiras de trabalho”.1

 1 GROMICHO, António Bartolomeu. O Liceu Nacional de Évora IN A Cidade de Évora. Évora: Câmara Municipal de Évora, 1954, XI, jan./dez., p. 49-61.

 

BIBLIOGRAFIA

GROMICHO, António Bartolomeu. O Liceu Nacional de Évora IN A Cidade de

Évora. Évora: Câmara Municipal de Évora, 1954, XI, jan./dez., p. 49-61.

TURRES VETERAS, III, Torres Vedras, s/d - Os Caminhos da Instrução Feminina nos séculos XIX e XX. Breve Relance: atas. Torres Vedras: Instituto de Estudos Regionais e do Municipalismo “Alexandre Herculano”, s/d. Disponível aqui. Consultado em 2019-03-01.

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