|
… a
Fábrica
dos
Leões
foi
erguida
pela
Sociedade
Alentejana
de
Moagem
em
1916?
A
industrialização
do
Alentejo
e
especificamente
em
Évora
começou
muito
timidamente.
Os
grandes
lavradores
temiam
que
lhes
faltasse
a
mão-de-obra
na
lavoura
e
que
esta
fugisse
para
a
indústria
onde
os
salários
eram
melhores
e os
trabalhos
aparentemente
menos
duros.
Apenas com a aplicação
da
máquina
a
vapor
ao
serviço
da
modernização
dos
transportes,
chegou
ao
concelho,
a
novidade
dos
progressos
que
as
novas
tecnologias
registavam.
Em 1863 foi inaugurado
em
Évora
o
caminho-de-ferro
instituindo-se
a
ligação
com
Lisboa.
Confiante
nos
constantes
progressos
e
nas
possibilidades
de
rápida
distribuição
dos
produtos
através
da
nova
via,
o
lavrador
Perdigão
Queiroga,
abriu
já
no
ano
de
1899,
a
primeira
fábrica
de
moagem
“Fábrica
de
Moagem
Perdigão
Queiroga
à
Estação”.

Em 1901, junto às
portas
de
Machede,
Romão
Marquez
funda
a
sua
Fábrica
de
Cortiça.
A tímida industrialização
fazia-se
em
torno
do
aproveitamento
dos
produtos
agrícolas
em
que
o
Alentejo
e a
cidade
eram
férteis.
As
máquinas
eram
muito
caras
e
avariavam
muito,
e os
grandes
capitalistas
pouco
interesse
tinham
em
investir.
Foi
a
capacidade
de
iniciativa
e a
crença
no
progresso
de
José
António
de
Oliveira
Soares,
presidente
do
Real
Sindicato
Agrícola
de
Évora
e da
Escola
Prática
de
Agricultura,
que
ao
apresentar
em
1902,
o
primeiro
automóvel,
revelou
a
completa
demostração
de
serem
infundados
os
receios
quanto
à
utilização
de
novas
técnicas
e
máquinas.
Dois anos depois surge
na
Rua
do
Paço
uma
empresa
comercial
e
industrial
dedicada
à
venda
de
automóveis
denominada
“Auto
Palace”
de
Estevão
de
Oliveira
Fernandes
e a
empresa
inglesa
Vacum
Oil
Company
instala
em
Évora,
na
rua
João
de
Deus,
5 e
7
uma
empresa
de
óleos
e
gorduras
minerais
lubrificantes.

Por imperativos da
iluminação
da
cidade
procuravam-se
agora
outras
formas
de
energia.
Em 1
de
Maio
de
1890
tinha
sido
inaugurada
a
iluminação
a
gás
na
cidade
com
a
fábrica
colocada
no
Rossio
de
S.
Brás,
no
local
onde
se
situa
hoje
o
Hotel
D.
Fernando,
pertença
da
Companhia
Geral
de
Iluminação
a
Gás.
Posteriormente as
atenções
viram-se
para
a
eletricidade
que
vinha
provando
ser
a
forma
de
energia
ideal,
por
superar
as
desvantagens
do
gás
de
iluminação,
pelo
que
um
grupo
de
capitalistas
locais
uniu
esforços
e
vontades
e
constituiu
a
Companhia
Eborense
de
Eletricidade.
A indústria que fez
grande
sucesso
em
Évora
foi
a
tipográfica,
com
a
primeira
imprensa
em
1840,
destinada
ao
Governo
Civil
e à
Repartição
de
Finanças.

O grande empreendimento
industrial
no
concelho
foi
a
formação
da
Sociedade
Alentejana
de
Moagem,
criada
em
1916,
por
iniciativa
de
um
grupo
de
proprietários
e
lavradores
que
ergueram
a
conhecida
Fábrica
dos
Leões.
Fonte:
Arquivo
Municipal
de
Évora
|