Sabia que...
 
Edição de 10 de dezembro de 2019
 
   
 

 

… o topónimo mangalaça tem origem no século XV?

Como em todas as cidades que têm séculos de existência, o urbanismo encerra histórias dentro da História que a toponímia nos ajuda a desvendar. Em Évora existe uma travessa que é um beco e há razões para isso: a Travessa da Mangalaça.

A mangalaça ou manceba era a rapariga ou mulher jovem que se dedicava à prostituição. Vivia em comunidades marginalizadas, em espaços próprios e guetizados, tal como acontecia com as comunidades judaica e mourisca.

Em Évora existia um arruamento destinado a donzelas que na altura se entregavam à mancebia.

A artéria em causa foi mandada construir por Soeiro Mendes[1], em 1470, para aquele fim, com acesso a partir da Rua José Elias Garcia e não tem saída por assim o ter prescrito D. Afonso V, a 11 de maio de 1470[2], pelo que também lhe foi atribuída a denominação de Rua Tapada.

As casas de recolhimento serviam para de noite as mancebas ficarem fechadas, tanto para defesa das mesmas, como para impedir as eventuais perturbações e motins que poderiam causar.

 

Fonte: Arquivo Municipal

[1] Cavaleiro da casa de D. Afonso V que em 1461 construiu o castelo de Arguim (o primeiro levantado pelos portugueses em África) do qual, foi alcaide-mor. Viveu em Évora, tendo edificado as casas para a mancebia na Rua da Mangalaça. (Fonte: Almeida, Claudino de. Ruas de Évora: subsídios para a explicação dos seus nomes. Évora: Gráfica Eborense, 1934, p. 71)

[2]  Arquivo Municipal de Évora, Lº 4º dos originais, fl. 175.

MONTE, Gil do. Dicionário de toponímia Eborense. Évora: Gráfica Eborense, 1982, vol.2, p.5.

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