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… o
topónimo
mangalaça
tem
origem
no
século
XV?
Como
em
todas
as
cidades
que
têm
séculos
de
existência,
o
urbanismo
encerra
histórias
dentro
da
História
que
a
toponímia
nos
ajuda
a
desvendar.
Em
Évora
existe
uma
travessa
que
é um
beco
e há
razões
para
isso:
a
Travessa
da
Mangalaça.
A
mangalaça
ou
manceba
era
a
rapariga
ou
mulher
jovem
que
se
dedicava
à
prostituição.
Vivia
em
comunidades
marginalizadas,
em
espaços
próprios
e
guetizados,
tal
como
acontecia
com
as
comunidades
judaica
e
mourisca.

Em
Évora
existia
um
arruamento
destinado
a
donzelas
que
na
altura
se
entregavam
à
mancebia.
A
artéria
em
causa
foi
mandada
construir
por
Soeiro
Mendes[1],
em
1470,
para
aquele
fim,
com
acesso
a
partir
da
Rua
José
Elias
Garcia
e
não
tem
saída
por
assim
o
ter
prescrito
D.
Afonso
V, a
11
de
maio
de
1470[2],
pelo
que
também
lhe
foi
atribuída
a
denominação
de
Rua
Tapada.
As
casas
de
recolhimento
serviam
para
de
noite
as
mancebas
ficarem
fechadas,
tanto
para
defesa
das
mesmas,
como
para
impedir
as
eventuais
perturbações
e
motins
que
poderiam
causar.
Fonte:
Arquivo
Municipal
[1]
Cavaleiro
da
casa
de
D.
Afonso
V
que
em
1461
construiu
o
castelo
de
Arguim
(o
primeiro
levantado
pelos
portugueses
em
África)
do
qual,
foi
alcaide-mor.
Viveu
em
Évora,
tendo
edificado
as
casas
para
a
mancebia
na
Rua
da
Mangalaça.
(Fonte:
Almeida,
Claudino
de.
Ruas
de
Évora:
subsídios
para
a
explicação
dos
seus
nomes.
Évora:
Gráfica
Eborense,
1934,
p.
71)
[2]
Arquivo
Municipal
de
Évora,
Lº
4º
dos
originais,
fl.
175.
MONTE,
Gil
do.
Dicionário
de
toponímia
Eborense.
Évora:
Gráfica
Eborense,
1982,
vol.2,
p.5. |