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6 de março de 2018
 
   
 


... Florbela Espanca viveu e estudou em Évora?
 

Florbela Espanca, grande poetisa portuguesa, é tida como a grande figura feminina das primeiras décadas da literatura portuguesa do século XX. Além de poesia, escreveu contos, um diário, traduziu romances e colaborou em revistas e jornais, mas é pelos seus sonetos que foi reconhecida e se tornou famosa.

Nasceu em Vila Viçosa, a 8 de dezembro de 1894. Filha de Antónia da Conceição Lobo e do Republicano João Maria Espanca (1866-1954), era filha ilegítima e só postumamente foi reconhecida pelo pai. Foi batizada como Flor Bela Lobo, mas na altura em que frequentava a escola primária em Vila Viçosa, entre 1899 e 1908, começou a assinar os seus textos como Flor d’Alma da Conceição Espanca.

Escreveu o primeiro poema aos 8 anos – “A Vida e a Morte”.

Após o falecimento de sua mãe, com apenas 29 anos, em 1908, prosseguiu os estudos em Évora, no Liceu André de Gouveia, até 1912.

Neste período, requisitou diversos livros na Biblioteca Pública de Évora, como obras de Balzac, Dumas, Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro e Garrett. Em 1916, tornou-se colaboradora da revista Modas & Bordados, e do jornal Notícias de Évora.

Em 1917, completou o Curso complementar de Letras.

Florbela Espanca estava muito à frente do seu tempo. Não se sentia atraída por causas sociais ou políticas, mas revelava-se desafiadora das convenções, nem sempre sendo aceite pela sociedade portuguesa da década de 20. Em 1917, foi a primeira mulher a ingressar no curso de Direito da Universidade de Lisboa. Na capital, contactou com outros poetas da época e com o grupo de mulheres escritoras que então procurava impor-se. Viveu de forma intensa e dramática e os seus sonetos falam de amor, de sofrimento, de saudade, de solidão, de desejo e morte. A sua poesia é reveladora da sua vida tumultuosa, das paixões e do modo como as viveu. Passou por três casamentos, dois divórcios e outras relações falhadas; a morte inesperada e violenta do irmão, em 1927, e os filhos que não teve marcaram profundamente a sua vida e obra.

A vida não lhe bastava; ela mesma definiu a inquietação constante que a atormentava: “O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades… sei lá de quê!”.

A sua obra abrange também poemas dedicados ao Alentejo que revelam o grande amor que tinha pela sua terra natal:

"(…) Tudo é tranqüilo, e casto, e sonhador...
Olhando esta paisagem que é uma tela
De Deus, eu penso então: onde há pintor,

Onde há artista de saber profundo,
Que possa imaginar coisa mais bela,
Mais delicada e linda neste mundo?!"

In “No Meu Alentejo”

A sua primeira obra, Livro de Mágoas, saiu em 1919 e em 1923 foi publicada a sua segunda coletânea de sonetos, intitulada de Livro de Sóror Saudade, e paga pelo seu pai.
O livro de contos As Máscaras do Destino, é dedicado a seu irmão (1931).
A obra-prima, Charneca em Flor, só foi publicada em 1931, depois de ter desistido de viver, aos 36 anos.
Toda a obra poética de Florbela Espanca foi reunida por Guido Battelli num volume chamado Sonetos Completos, publicado pela primeira vez em 1934.
Faleceu a 8 de dezembro de 1930, em Matosinhos. O corpo da poetisa jaz no cemitério de Vila Viçosa desde 17 de maio de 1964.

No Jardim Público, em Évora, existe um monumento dedicado a Florbela Espanca, sendo este um busto em mármore, da autoria de Diogo de Macedo (1931), com o pedestal de Jorge Segurado, inaugurado em 18 de junho de 1949.

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