|
...
Florbela
Espanca
viveu
e
estudou
em
Évora?
Florbela
Espanca,
grande
poetisa
portuguesa,
é
tida
como
a
grande
figura
feminina
das
primeiras
décadas
da
literatura
portuguesa
do
século
XX.
Além
de
poesia,
escreveu
contos,
um
diário,
traduziu
romances
e
colaborou
em
revistas
e
jornais,
mas
é
pelos
seus
sonetos
que
foi
reconhecida
e se
tornou
famosa.
Nasceu em
Vila
Viçosa,
a 8
de
dezembro
de
1894.
Filha
de
Antónia
da
Conceição
Lobo
e do
Republicano
João
Maria
Espanca
(1866-1954),
era
filha
ilegítima
e só
postumamente
foi
reconhecida
pelo
pai.
Foi
batizada
como
Flor
Bela
Lobo,
mas
na
altura
em
que
frequentava
a
escola
primária
em
Vila
Viçosa,
entre
1899
e
1908,
começou
a
assinar
os
seus
textos
como
Flor
d’Alma
da
Conceição
Espanca.
Escreveu
o
primeiro
poema
aos
8
anos
– “A
Vida
e a
Morte”.
Após o
falecimento
de
sua
mãe,
com
apenas
29
anos,
em
1908,
prosseguiu
os
estudos
em
Évora,
no
Liceu
André
de
Gouveia,
até
1912.
Neste
período,
requisitou
diversos
livros
na
Biblioteca
Pública
de
Évora,
como
obras
de
Balzac,
Dumas,
Camilo
Castelo
Branco,
Guerra
Junqueiro
e
Garrett.
Em
1916,
tornou-se
colaboradora
da
revista
Modas
&
Bordados,
e do
jornal
Notícias
de
Évora.
Em 1917,
completou
o
Curso
complementar
de
Letras.
Florbela
Espanca
estava
muito
à
frente
do
seu
tempo.
Não
se
sentia
atraída
por
causas
sociais
ou
políticas,
mas
revelava-se
desafiadora
das
convenções,
nem
sempre
sendo
aceite
pela
sociedade
portuguesa
da
década
de
20.
Em
1917,
foi
a
primeira
mulher
a
ingressar
no
curso
de
Direito
da
Universidade
de
Lisboa.
Na
capital,
contactou
com
outros
poetas
da
época
e
com
o
grupo
de
mulheres
escritoras
que
então
procurava
impor-se.
Viveu
de
forma
intensa
e
dramática
e os
seus
sonetos
falam
de
amor,
de
sofrimento,
de
saudade,
de
solidão,
de
desejo
e
morte.
A
sua
poesia
é
reveladora
da
sua
vida
tumultuosa,
das
paixões
e do
modo
como
as
viveu.
Passou
por
três
casamentos,
dois
divórcios
e
outras
relações
falhadas;
a
morte
inesperada
e
violenta
do
irmão,
em
1927,
e os
filhos
que
não
teve
marcaram
profundamente
a
sua
vida
e
obra.
A vida
não
lhe
bastava;
ela
mesma
definiu
a
inquietação
constante
que
a
atormentava:
“O
meu
mundo
não
é
como
o
dos
outros,
quero
demais,
exijo
demais,
há
em
mim
uma
sede
de
infinito;
sou
antes
uma
exaltada,
com
uma
alma
intensa,
violenta,
atormentada,
uma
alma
que
não
se
sente
bem
onde
está,
que
tem
saudades…
sei
lá
de
quê!”.
A sua
obra
abrange
também
poemas
dedicados
ao
Alentejo
que
revelam
o
grande
amor
que
tinha
pela
sua
terra
natal:
"(…)
Tudo
é
tranqüilo,
e
casto,
e
sonhador...
Olhando
esta
paisagem
que
é
uma
tela
De
Deus,
eu
penso
então:
onde
há
pintor,
Onde
há
artista
de
saber
profundo,
Que
possa
imaginar
coisa
mais
bela,
Mais
delicada
e
linda
neste
mundo?!"
In
“No
Meu
Alentejo”
A
sua
primeira
obra,
Livro
de
Mágoas,
saiu
em
1919
e em
1923
foi
publicada
a
sua
segunda
coletânea
de
sonetos,
intitulada
de
Livro
de
Sóror
Saudade,
e
paga
pelo
seu
pai.
O
livro
de
contos
As
Máscaras
do
Destino,
é
dedicado
a
seu
irmão
(1931).
A
obra-prima,
Charneca
em
Flor,
só
foi
publicada
em
1931,
depois
de
ter
desistido
de
viver,
aos
36
anos.
Toda
a
obra
poética
de
Florbela
Espanca
foi
reunida
por
Guido
Battelli
num
volume
chamado
Sonetos
Completos,
publicado
pela
primeira
vez
em
1934.
Faleceu
a 8
de
dezembro
de
1930,
em
Matosinhos.
O
corpo
da
poetisa
jaz
no
cemitério
de
Vila
Viçosa
desde
17
de
maio
de
1964.
No
Jardim
Público,
em
Évora,
existe
um
monumento
dedicado
a
Florbela
Espanca,
sendo
este
um
busto
em
mármore,
da
autoria
de
Diogo
de
Macedo
(1931),
com
o
pedestal
de
Jorge
Segurado,
inaugurado
em
18
de
junho
de
1949.
 |