Sabia que...
 
Edição de 4 de setembro de 2018
 
   
 


... as escolas primárias normais foram criadas a 7 de setembro de 1835?

Até 1772, o ensino era ministrado de forma escolástica e sistematizada pelas ordens religiosas, nas instituições da Igreja especialmente dirigidas pelos jesuítas.

Havia, no entanto, mestres particulares com alguma formação que ensinavam nas suas casas, sendo artesãos que desempenhavam, ao mesmo tempo, outras profissões como pedreiro, carpinteiro, sapateiro, barbeiro. Um concurso e um exame constituíam a habilitação indispensável para ensinar a ler, escrever e contar, não havia necessidade de formação dos mestres.

Com a Carta Régia de 1772 estabeleceu-se o plano de criação da rede de escolas e a contratação de mestres mediante concurso público a realizar nas cidades de Lisboa, Porto, Coimbra e Évora. Nenhum mestre podia ensinar sem a habilitação exigida competindo ao Estado a coordenação das atividades escolares designadamente as habilitações dos professores.

O mestre particular deu origem ao mestre régio. A profissão era desempenhada apenas por homens. Só em 31 de maio de 1790, por Resolução Régia de D. Maria I, foram nomeadas as primeiras mestras régias de ler, escrever, fiar, cozer, bordar e cortar.

No início do século XIX os governos começaram então a sentir a necessidade de formação específica dos professores, pelo que em 1816 é criada a primeira escola normal do ensino mútuo nas escolas do exército. Em 1823, foi criada outra escola normal apenas destinada ao sexo masculino, com escolas de aplicação anexas, e um curso de 2 meses de duração1.

A existência destas escolas foi atribulada pois estavam dependentes das condições económicas e políticas de governos nem sempre atentos às necessidades da formação e número de professores necessários para provimento das escolas.

Apenas em 1835, Decreto de 7 de setembro, foram então criadas escolas normais de instrução primária para o sexo masculino, em cada uma das capitais dos Distritos Administrativos.

A escola normal de Évora abriu a 16 de setembro de 1884, na Igreja de S. Pedro.

 

Bibliografia

Carta Régia (12-11-1772) 3 Disponível em http://www.ige.min-edu.pt/upload/docs/Lei-6-11-1772.pdf Acedido em 30 agosto 2018.

RAMOS, Alberto Augusto. “O Ensino Primário em Portugal: Viagem ao passado”. Ramada: Edições Pegado, 2015. Estudos Académicos em Ciências da Educação.
 

[1] RAMOS, Alberto Augusto. “O Ensino Primário em Portugal: Viagem ao passado”. Ramada: Edições Pegado, 2015. Estudos Académicos em Ciências da Educação.
P.490

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