Sabia que...
 
Edição de 3 de março de 2020
 
   
 

 

… o Mercado 1.º de Maio se situa sobre a cisterna do Convento de S. Francisco ?

 

O Mercado 1º de Maio teve na sua génese um longo litígio (tumulto dos mercados), entre comerciantes da Praça de Giraldo e o município, devido ao facto de até meados de Março de 1863, o mercado semanal de hortaliças, legumes e frutas (terças feiras) se realizar na Praça de Giraldo.

A edilidade pretendia então melhorar o aspeto da praça, com um tabuleiro calcetado, pelo que estatuiu transferir o mercado para a Praça de Sertório denominada na altura de Praça do Peixe. A ideia não agradou a muitos, pelo que os munícipes eborenses fizeram chegar à Câmara Municipal, no dia 8 de Agosto de 1864, um abaixo-assinado em que o povo revelava o seu descontentamento com a posição tomada pela autarquia.

Após a secularização, em 1866, o Estado cedeu parte do Convento de S. Francisco à Câmara Municipal de Évora e a autarquia a 24 de Maio de 1869 iniciou a construção de um novo mercado sobre a cisterna do Convento. A fiscalização da obra ficou a cargo do Vereador Monteiro e a planta e direção dos trabalhos coube ao Engenheiro Câmara Manuel.
No entanto, duas fações divergentes defendiam projetos diferentes. Uma propunha que o mercado regressasse à Praça do Geraldo, outra defendia a transferência do mercado para a Praça de S. Pedro, atual Praça Joaquim António de Aguiar.


Século XIX - Mercado na Praça do Geraldo
Fonte: CME – Arquivo Centro Histórico - Mercado 1º de Maio – Proposta de Requalificação – 1997

Findo o litígio, em reunião de Câmara de 3 de Maio de 1878, eis que surge o projeto do Mercado de Évora.


Planta do alçado anterior do Mercado
Fonte: CME- Arquivo Centro Histórico


Planta interior do Mercado – antes da remodelação
Fonte: CME- Arquivo Centro Histórico


Alçado exterior direito do Mercado
Fonte: CME- Arquivo Centro Histórico

O projeto em causa recorria, à semelhança dos mercados construídos noutras cidades portuguesas, ao ferro e vidro como elementos construtivos. A estrutura metálica encomendada à Companhia Perseverança, visava a funcionalidade do espaço.

Em 6 de Janeiro de 1903, surge um segundo projeto com cunho do Engenheiro Adriano da Silva Monteiro e do condutor de Obras Públicas, António Manuel Ribeiro.

Em 1984 é apresentado pelo GAT, Gabinete de Apoio Técnico às Autarquias Locais, um projeto para o Mercado Exterior e Peixe, onde se propunha uma pequena intervenção, em que o espaço da Rua entre o Mercado 1º de Maio e o Quartel seria transformada em área de Mercado.

Projetado para uma cidade e uma população em lento desenvolvimento, o Mercado de Évora conseguiu sobreviver e desenvolver-se, apesar das aceleradas transformações da vida e do consumo urbano.

Em 2000, enquanto a requalificação se processava, o Mercado de Évora, foi instalado provisoriamente nas instalações da ex-rodoviária, tendo todo o recinto recebido uma ornamentação agradável e atrativa com sinalética identificativa dos locais destinados às diversas funções comerciais.

 


Planta do Mercado atual - interior
Fonte: CME- Arquivo Centro Histórico


Planta do alçado do mercado atual
Fonte: CME- Arquivo Centro Histórico


Planta do alçado do mercado atual
Fonte: CME- Arquivo Centro Histórico

 

Atualmente encontra-se de novo no Largo 1º de Maio junto à Igreja de S. Francisco.


Imagem do rés do chão do atual espaço do Mercado 
 


Mercado do Peixe, pós intervenção
Foto: Maria Rosário Martins

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